O ator francês Bourvil, especializado em comédias, achava que não seria lembrado pelos espectadores.
No mundo do cinema, às vezes podemos suspeitar que atores ou atrizes demonstram falsa modéstia, ou aparente modéstia diante das câmeras. E às vezes, essa modéstia parece surpreendentemente natural. É o caso desta entrevista concedida pelo ator Bourvil à televisão francesa em 1969.
Na plena divulgação do filme Le Cerveau de Gérard Oury com Jean-Paul Belmondo, Bourvil contou no microfone ORTF :
“O que eu digo não importa.”
Gaumont O Cérebro
“Eu, o que eu digo não tem importância. Além disso, atores são pessoas que não têm tanta importância. Vendemos correntes de ar, nós. Quando passamos, passamos. Quem escreve, fica preto e branco. Sempre falaremos de Marcel Pagnol. De quem pinta também. Sempre lembraremos de Renoir. Mas nós, atores, quando passamos, passamos. Atores de 100 anos atrás, 50 anos, não nos lembramos deles… Cabelos no cabelo braço!”
Uma humildade que se assemelha muito à imagem que ele transmitia, a de um homem que viveu uma vida simples, como testemunhou o seu colega ator Jean Lefebvre. Bourvil foi, no entanto, uma das maiores estrelas da banda desenhada das décadas de 1940 a 1970, 30 anos ao serviço do riso, com sucessos fenomenais nos teatros ao lado de Louis de Funès (La Grande vadrouille e os seus 17,2 milhões de entradas, Le Corniaud com 11,7 milhões), mas também a solo: Pas si bête (6,1 milhões de entradas) ou La Jument verte (5,2 milhões).
Bourvil nos deixou em 23 de setembro de 1970 devido a um câncer hematológico, com apenas 53 anos.