O número de produtores envolvidos na agricultura biológica caiu pela primeira vez em 2025, segundo estimativas iniciais da Agence Bio, quando o consumo recuperou significativamente, levantando preocupações sobre o fornecimento de produtos sem pesticidas e fertilizantes sintéticos.

O número de explorações agrícolas que praticam agricultura biológica caiu de 61.876 em 2024 para 61.490 em 2025, uma queda de 386 explorações (-0,6%), não tendo os recém-chegados compensado aqueles que se reformaram ou abandonaram este modo de produção, anunciou quinta-feira a Agência Orgânica durante uma conferência de imprensa na Mostra Agrícola.

Este valor ainda deve ser consolidado, alertou esta agência responsável pela promoção da agricultura biológica mas também pela compilação de estatísticas de consumo e produção.

Este é um “sinal que não deve ser encarado levianamente”, alertou Marine Bré-Garnier, do observatório nacional da agricultura biológica integrado na agência, uma vez que o consumo tem dado sinais muito bons de recuperação em 2025.

Com a inflação, o consumo de produtos biológicos caiu a partir de 2022 e só começou a recuperar em 2024 (+0,8% em valor), confirmado em 2025 (+3,5% segundo números ainda a consolidar comunicados quinta-feira).

– “Desconversão” –

Esta retoma do consumo é observada em quase todos os canais, incluindo na grande distribuição (+1,7%), com exceção das marcas “desconto”.

Entre 2022 e 2024, o conceito de “comer bem” evoluiu entre os franceses: o impacto dos produtos na saúde foi menos citado do que o prazer e o convívio.

Em 2025, o impacto dos produtos na saúde recuperou o segundo lugar, atrás da alimentação equilibrada, no conceito de “comer bem”, segundo o barómetro anual da agência. A saúde continua a ser a principal razão que motiva os consumidores de produtos biológicos.

Em 2013-2014, os debates sobre os OGM e os escândalos de saúde impulsionaram este consumo.

Em 2025, os debates sobre a lei Duplomb, que previa a devolução de um pesticida proibido, podem ter desempenhado um papel na recuperação, reconhece o novo presidente da Agence Bio, Bruno Martel, ao moderar a hipótese com outros factores.

Nos últimos anos, as oscilações do consumo levaram a um movimento de “desconversão”, não só dos agricultores, mas também dos transformadores.

Isto é demonstrado pelos saldos de vários milhões de euros em fundos europeus destinados à conversão para biológicos.

– “Paradoxo” –

“Teremos pelo menos no primeiro semestre de 2026 uma revanche entre oferta e demanda”, declarou Bruno Martel. É preciso “esperar” para ver confirmada esta adequação para “relançar ações de estímulo à conversão” dos agricultores para biológicos, acrescentou, um processo longo que pode levar vários anos até à obtenção da certificação.

A lei estabelece a meta de 21% de áreas agrícolas dedicadas à produção orgânica até 2030, ou o dobro das áreas em 2024 (10,1%), queda pelo segundo ano consecutivo. Esse movimento poderá continuar em 2025.

“Estamos perante um paradoxo: a procura de produtos biológicos está a aumentar novamente, mas as explorações agrícolas continuam enfraquecidas e a produção está a diminuir. O risco é ficar sem produtos biológicos amanhã”, declarou Loïc Madeline, co-presidente da federação de agricultores biológicos (Fnab), pouco antes da abertura do certame, apelando a “políticas públicas ambiciosas e financiamento”.

Este modo de produção não foi mencionado no contexto do trabalho sobre a soberania alimentar realizado sob a égide da Ministra da Agricultura, Annie Genevard.

Na primavera de 2025, a Agência Bio viu cair o seu orçamento de comunicações, mas também o do fundo orgânico futuro que gere, depois de ter sido ameaçada de desaparecimento no âmbito do orçamento de 2025.

O caro estande da feira agrícola foi substituído pelo caminhão que costuma viajar pela França para promover produtos orgânicos.

O orçamento de 2025 foi “mantido” em 2026, disse Martel, que quer tranquilizar sobre o futuro da agência, após a saída, em meados de fevereiro, do sindicato das lojas especializadas Synadis Bio, que afirma estar “ameaçada de desmantelamento”.

E enquanto está em curso o recrutamento para substituir a diretora da agência Laure Verdeau, conhecida pela sua franqueza especialmente para com o Ministério da Agricultura.

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