Na sexta-feira, 25 de janeiro de 2019, Flávia Coelho, então com 32 anos, preparava o almoço das duas filhas quando seu smartphone começou a vibrar. Cerca de dez mensagens alertaram-no para o rompimento da barragem de rejeitos da mina de ferro da multinacional Vale, em Brumadinho, no sudeste do Brasil, onde seu pai trabalhou durante quarenta anos.
A jovem nem pensou em ir ao hospital para ver se ele havia sobrevivido. “Eu não tinha a menor razão para acreditar que meu pai estava vivo”ela lembra. O rompimento da barragem liberou uma torrente de lama vermelha tóxica de 18 metros de altura que desceu pelo vale, arrastando casas e culturas agrícolas, antes de desaguar no rio Paraopeba. Durante sete anos, os bombeiros vasculharam incansavelmente a área para recuperar todos os restos mortais das 270 vítimas, cujos corpos estavam fragmentados, antes de encerrar a busca em 25 de janeiro de 2026.
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