PQual é a natureza da violência interpessoal no trabalho e quais as suas consequências nas carreiras das pessoas afetadas, das vítimas e dos agressores? Um parecer do Conselho Económico, Social e Ambiental (CESE) descreveu, em Fevereiro de 2025, a banalização da violência verbal, particularmente racista, no debate público, nas redes sociais e até nas empresas. A onda #MeToo revelou a extensão da violência sexual e vários casos de grande repercussão mostraram a impunidade de que gozam os seus perpetradores. Mas quais são as consequências para além destas situações individuais?

Responder a esta pergunta é particularmente difícil. A maioria dos estudos sobre violência no local de trabalho baseia-se em inquéritos. Se estes permitem evidenciar a extensão do fenómeno – com, segundo o parecer do CESE, 14,3% dos empregados a declararem-se vítimas de violência verbal – e documentar os efeitos nas vítimas, têm, no entanto, dificuldade em avaliar o impacto nos perpetradores, que raramente estão inclinados a admitir o seu comportamento.

Quatro economistas superaram essas limitações, com base em todas as denúncias apresentadas à polícia. Este estudo, publicado em 2023, foi realizado na Finlândia, onde é possível vincular dados de reclamações individuais a dados administrativos, tanto de vítimas como de agressores. O estudo subestima necessariamente a extensão do fenómeno, porque, na Finlândia como noutros lugares, a maior parte da violência não é objecto de queixa à polícia. Mas mostra as consequências no emprego e nos rendimentos das pessoas afectadas por esta violência, para além da percepção das sondagens.

Posição hierárquica

Uma das primeiras observações é que os homens são a maioria dos autores de violência no trabalho (84% dos casos de denúncia). Mais de metade destas queixas (55%) dizem respeito à violência física (que inclui violência sexual) e 17% são ameaças verbais. Entre as vítimas, mulheres e homens estão igualmente representados.

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