Segundo um inquérito realizado pelo sindicato estudantil FAGE, quase um quarto dos estudantes vive com menos de 100 euros por mês, depois de paga a renda. O sindicato estudantil alertou, terça-feira, 24 de fevereiro, para a precariedade que afeta diretamente a saúde e o sucesso escolar dos estudantes. “O alojamento é muito caro e não está nada adaptado à realidade dos estudantes”lamenta Suzanne Nijdam, presidente da FAGE, a primeira organização estudantil, à Agence France-Presse (AFP).
Realizado entre 5.644 estudantes em janeiro e fevereiro, o inquérito realizado pelo sindicato estudantil mostra que a renda atinge em média 491 euros – 712 euros em Paris – absorvendo em média metade do seu orçamento.
Precariedade que pesa na saúde e no sucesso
Uma vez paga esta despesa, a situação financeira torna-se crítica para muitos: 22,3% dos estudantes afirmam viver com menos de 100 euros por mês e 52,2% com menos de 200 euros. Entre os participantes da bolsa, 61% estão nessa situação e 5% iniciam o mês zerado ou vendido. Muitos são obrigados a “fazer cortes enormes” na alimentação ou na saúde, lamenta Suzanne Nijdam. Além disso, um em cada dois estudantes declara trabalhar em paralelo, um emprego assalariado que se torna “competitivo com estudos”ela diz.
A esta fragilidade financeira soma-se muitas vezes a habitação degradada. Um em cada três estudantes afirma viver em habitações precárias, confrontados com uma destas situações: mofo (18,3%), danos causados pela água (16,5%), presença de pragas (13,3%) ou materiais perigosos (1,2%).
A isto somam-se dificuldades mais estruturais: mais de quatro em cada dez estudantes ocupam alojamentos mal isolados e quase um terço não tem ligação estável à Internet, carência que dificulta o acesso a cursos online e acentua as desigualdades, sublinha a FAGE.
“Além da saúde física e mental, a qualidade dos estudos é questionadainsiste Suzanne Nijdam. Há anos que temos insistido nisso: a insegurança é realmente o principal factor do fracasso académico. »
Para responder a isto, o FAGE apela a um plano global: aumento maciço da oferta de habitação social estudantil, aumento da regulação do capital privado – nomeadamente através do controlo das rendas –, reforma do cálculo das subvenções ou mesmo reforço do apoio social.
“A ideia é ter uma mudança sistémica que não afete só a questão do parque Crous, nem só do parque privado, mas sim ter uma melhor articulação de tudo isso”explica seu presidente.