Abertos entre 2006 e 2008, os estabelecimentos prisionais para menores acolhem jovens dos 13 aos 18 anos. A sua criação foi justificada na altura pela vontade de investir mais na educação e na reintegração: orçamento considerável, edifícios modernos, salas de aula, actividades de todo o tipo. Quase vinte anos depois, quis compreender o que significa ser um jovem confrontado com a prisão. Não na perspectiva dos textos legais ou dos discursos institucionais, mas observando as trajetórias, as vozes, os corpos de quem vivencia essa realidade.
Durante dois dias por semana, definidos pela proteção judicial de jovens e pela administração penitenciária, procurei criar um espaço de cocriação com os jovens que vivem nestes locais. Andamos pela prisão, nas paredes grafites criados durante as oficinas, algumas citações de autores estampadas, mapas do mundo afixados aqui e ali. Nas células, o relacionamento e a atmosfera podem mudar completamente. Alguns escrevem, outros desenham, alguns falam, outros ficam calados. Nas paredes estão escritas as suas histórias, mais ou menos míticas, e por vezes frases simples, que parecem resumir anos de dificuldades: “Às 22h tenho um encontro marcado com a morte. »
Quando o jovem é libertado ou transferido, seus escritos são cobertos com uma nova demão de tinta. O mil-folhas fica mais espesso. Com o passar dos meses, o local muda. As grades das janelas das celas, muitas vezes serradas para passar a mão ou um objeto, são substituídas e depois armazenadas temporariamente do lado de fora, ao lado de pilhas de janelas quebradas.
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