À distância, a fazenda fotovoltaica de Tom Warren se parece com qualquer outra. Até que apareceram cem ovelhas pastando à sombra dos painéis solares.

Por nada no mundo o criador australiano, baseado a cerca de 400 quilômetros a oeste de Sydney, reverteria sua decisão de fazê-los viver juntos.

Ao ser abordado pela empresa Neoen, viu pela primeira vez uma nova fonte de rendimento “que não depende do clima nem do preço da lã”, explica sobre a sua operação em Dubbo, que conta com mais de 30 mil painéis em cerca de cinquenta hectares.

Painéis solares na fazenda fotovoltaica de Tom Warren, perto da cidade australiana de Dubbo, cerca de 400 quilômetros a oeste de Sydney, 19 de janeiro de 2026 (AFP/Arquivos - Gregory Plesse)
Painéis solares na fazenda fotovoltaica de Tom Warren, perto da cidade australiana de Dubbo, cerca de 400 quilômetros a oeste de Sydney, 19 de janeiro de 2026 (AFP/Arquivos – Gregory Plesse)

E desde então, “as rendas que recebo são mais importantes do que todos os rendimentos que poderia obter com a agricultura desta região, quer pastoreie ovelhas ou não no âmbito destes painéis”, felicita-se.

O criador insistiu que as instalações da Neoen não impediam que seus animais pastassem por baixo e rapidamente percebeu os benefícios. “Em primeiro lugar, as ovelhas apreciam muito a sombra que os painéis proporcionam, mesmo no inverno. E depois, durante a noite, a neblina instala-se nos painéis, escorre para o chão e cria pequenas linhas de relva verde no final das filas de painéis.” Um pequeno detalhe que muda tudo.

Ovelhas passeiam entre fileiras de painéis solares na fazenda de Tom Warren, perto da cidade australiana de Dubbo, cerca de 400 quilômetros a oeste de Sydney, 19 de janeiro de 2026 (AFP/Arquivos - Gregory Plesse)
Ovelhas passeiam entre fileiras de painéis solares na fazenda de Tom Warren, perto da cidade australiana de Dubbo, cerca de 400 quilômetros a oeste de Sydney, 19 de janeiro de 2026 (AFP/Arquivos – Gregory Plesse)

“A lã produzida é de melhor qualidade e mais limpa, porque os terrenos são menos secos e notámos um aumento de 15% nas nossas receitas com a criação de ovelhas que pastam sob painéis solares”, assegura Tom Warren, que fez um estudo comparativo com ovelhas que pastam em terrenos adjacentes sem painéis.

– “Melhor qualidade” –

A cerca de cinquenta quilómetros de distância, na cidade de Wellington, Tony Inder faz a mesma observação, com um rebanho muito maior de 6.000 ovelhas, que pastam em duas parcelas de terreno espalhadas por 4.000 ha. “Para produzir lã de maneira uniforme é preciso dar alimentação regular. Em terras virgens, no momento, está muito quente e muito seco”, enfatiza.

Tom Warren em sua fazenda perto da cidade australiana de Dubbo, cerca de 400 quilômetros a oeste de Sydney, 19 de janeiro de 2026 (AFP/Arquivos - Gregory Plesse)
Tom Warren em sua fazenda perto da cidade australiana de Dubbo, cerca de 400 quilômetros a oeste de Sydney, 19 de janeiro de 2026 (AFP/Arquivos – Gregory Plesse)

“Depois haverá uma forte chuva e de repente tudo ficará verde, o que significa que a qualidade da lã não será a mesma em toda a sua extensão. Já sob os painéis solares há sempre relva e ela permanece verde, o que nos permite produzir lã de melhor qualidade.”

Ele não é dono do terreno onde estão instalados os painéis solares, mas quem os possui permite que ele os utilize gratuitamente. Em troca disto “eles não precisam cortar a grama com tanta frequência” para permitir que os painéis funcionem corretamente. Mas é também e sobretudo respeitar as normas de prevenção de incêndios florestais.

No menor lote de terreno, 1.500 ha, “cada corte (de grama) custa US$ 90 mil e antes de concordarmos, eles tinham que fazê-lo seis vezes por ano. Agora é apenas uma ou duas vezes, o que representa uma grande economia”, observa Tony Inder.

– “Não é mais possível dissociar” –

A fazenda Dubbo, o primeiro exemplo de agrivoltaismo da Austrália, tornou-se o padrão para Neoen. “Há ovelhas pastando em todas as nossas usinas de energia solar”, confirma Emily Walker, diretora da empresa em Nova Gales do Sul.

Tom Warren em sua fazenda perto da cidade australiana de Dubbo, cerca de 400 quilômetros a oeste de Sydney, 19 de janeiro de 2026 (AFP/Arquivos - Gregory Plesse)
Tom Warren em sua fazenda perto da cidade australiana de Dubbo, cerca de 400 quilômetros a oeste de Sydney, 19 de janeiro de 2026 (AFP/Arquivos – Gregory Plesse)

“O setor como um todo está avançando muito rapidamente neste assunto, num mundo onde já não é realmente possível dissociar o uso agrícola histórico da terra da produção de energia solar”, afirma.

Se, por enquanto, estas utilizações combinadas se limitarem à pecuária na Austrália, a energia solar poderá no futuro ser misturada com outras atividades agrícolas.

Assim, painéis solares foram implantados em vinhedos no estado de Victoria e na Austrália Ocidental, em caráter experimental, para estudar o impacto potencial da sombra gerada no rendimento.

Painéis solares na fazenda fotovoltaica de Tom Warren, perto da cidade australiana de Dubbo, cerca de 400 quilômetros a oeste de Sydney, 19 de janeiro de 2026 (AFP/Arquivos - Gregory Plesse)
Painéis solares na fazenda fotovoltaica de Tom Warren, perto da cidade australiana de Dubbo, cerca de 400 quilômetros a oeste de Sydney, 19 de janeiro de 2026 (AFP/Arquivos – Gregory Plesse)

Para Karin Stark, diretora da consultoria Farm Renewables, deveria ser insignificante. “Num país como a Austrália, seis a oito horas de exposição à luz solar são suficientes para que as plantas se desenvolvam; se estiverem parcialmente sombreadas, não reduz a sua capacidade de fotossíntese”, diz ela.

Uma perspectiva promissora para os agricultores australianos. Segundo um relatório do Conselho de Energia Limpa publicado em 2024, graças às energias renováveis, poderão gerar 600 milhões de euros em receitas adicionais até 2030, e até 6,5 mil milhões de euros até 2050.

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