De médico a sobrevivente do genocídio cambojano e a vencedor do Oscar de Hollywood, Haing S. Ngor incorporou coragem e resiliência – até um final trágico ainda envolto em mistério.
Haing S. Ngor viveu uma vida marcada por extremos, desde a sobrevivência ao genocídio cambojano até ao reconhecimento de Hollywood, antes de morrer de forma brutal e ainda misteriosa em 1996.
Nascido em 1940 no Camboja, Ngor exerceu medicina, com especialização em obstetrícia e ginecologia, na capital Phnom Penh. Como lembrado Colisora sua vida pacífica virou do avesso em 1975, quando o Khmer Vermelho tomou o poder e lançou uma campanha assassina para eliminar toda a oposição real ou aparente. Ngor e a sua esposa, Chang My Huoy, foram enviados contra a sua vontade para campos de trabalhos forçados. Tragicamente, sua esposa morreu durante o parto, assim como seu filho. Ngor sobreviveu à fome e à tortura, escondendo seu passado como médico para salvar sua vida.
Da sobrevivência ao triunfo de Hollywood
Após a queda do regime, Haing S. Ngor e sua sobrinha fugiram para a Tailândia, antes de emigrarem para os Estados Unidos no ano seguinte e se estabelecerem em Los Angeles. Lá ele trabalhou como conselheiro para outros refugiados e conheceu Pat Golden em um casamento. Golden procurava um ator para interpretar Dith Pran em um filme sobre o genocídio cambojano e ficou impressionado com Ngor: “Ele tinha um dom inato para atuar.” Embora seja um novato na frente das câmeras, Ngor aceitou o papel e voltou à Tailândia para as filmagens de The Tear.
Para ele, revisitar esses acontecimentos dolorosos foi um desafio imenso, mas o diretor Roland Joffé o encorajou: “Ele foi muito corajoso. Brincar é dar a alma, e ele fez isso.”
Filmes Goldcrest
Após seu lançamento em 1984, o filme recebeu elogios da crítica e sete indicações ao Oscar. Ngor ganhou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante, tornando-se o primeiro asiático-americano a ganhar a homenagem. Preso no trânsito de Los Angeles a caminho da cerimônia, ele chegou bem a tempo com sua sobrinha Sophia Ngor Demetri para ouvir seu nome ser chamado. No palco, fez um discurso memorável: “É para você. Eu fiz isso por você”, disse ele, entregando sua estatueta à sobrinha.
Quando a tragédia o alcança
Depois desta consagração, Haing S. Ngor seguiu uma carreira de ator intermitente, permanecendo um ativista ativo para aumentar a conscientização sobre o genocídio cambojano até o início de 1996. Mas em 25 de fevereiro de 1996, sua vida foi tragicamente interrompida. Aos 55 anos, Ngor foi morto a tiros fora de sua casa em Los Angeles por três adolescentes. Embora a polícia tenha concluído que foi uma tentativa fracassada de roubo, alguns detalhes permanecem preocupantes: nem seu Mercedes nem os US$ 3.700 em dinheiro que ele tinha com ele foram roubados.
Dado o seu activismo e as posições públicas sobre o genocídio, muitos suspeitaram de uma motivação política por detrás do seu assassinato. O diretor Arthur Dong falou em Vice em 2016, a possibilidade de Ngor ter sido assassinado pelo Khmer Vermelho, citando o membro Kang Khek Iew (“Camarada Duch”) que alegadamente alegou que a sua execução foi ordenada por remanescentes do regime. Sua sobrinha Sophia confidenciou à People: “Tive medo por ele porque falava livremente sobre o Camboja. Não era seguro, mas ele não se importava. Ele só queria ajudar o povo do seu país. Mas o Khmer Vermelho ainda estava lá, então eu ainda me preocupava com ele.”
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Apesar deste fim trágico, o legado de Haing S. Ngor resiste. Sua sobrinha disse ao Hollywood Reporter: “Ele usou sua fama para educar as pessoas. E hoje, sempre que as pessoas veem o seu Óscar, perguntam-me sobre o Camboja, e o seu legado continua.”
Seu desempenho em A lágrima continua a ser um testemunho comovente de coragem e resiliência, iluminando um capítulo negro da história para evitar a repetição de tais tragédias. Pioneiro em vários aspectos, Haing S. Ngor continua a ser uma fonte de inspiração, um símbolo de sobrevivência e compromisso. Sua carreira, embora breve, deixou uma marca duradoura no cinema e na história da humanidade.
Sua atuação excepcional em La Déchire, disponível no FILMO, realmente merece ser vista, caso ainda não o tenha feito.
Confira também o comovente discurso que ele fez na cerimônia do Oscar de 1985 abaixo:
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