Quando a admiração pelos super-heróis se torna uma obsessão: aqui estão os fãs dispostos a fazer qualquer coisa para se parecerem com seus ídolos, às vezes até arriscando a saúde.

As figuras dos quadrinhos fascinam as pessoas desde muito antes de dominarem os cinemas. Se a explosão das franquias Marvel e DC contribuiu em grande parte para estabelecer os super-heróis no topo da cultura popular e das bilheterias globais, seu sucesso apenas exacerbou uma paixão já bem ancorada entre muitos fãs.

Na maioria dos casos, esta mania permanece lúdica e inofensiva. Mas acontece, mais raramente, que a admiração se transforme em comportamento excessivo e até perigoso. Certas histórias testemunham esta tendência, quando a fronteira entre a ficção e a realidade se torna confusa. Entre eles, o de um adolescente convencido de poder adquirir os poderes de seus heróis favoritos é particularmente preocupante.

Uma internação que intriga os médicos

Em 2014, em Nova Delhi. Um menino de 15 anos é internado no hospital devido a danos persistentes em um dos braços. As feridas recusam-se a cicatrizar e apresentam irritação incomum. Inicialmente, os médicos consideram um corte antigo e mal tratado ou uma infecção clássica. Esta hipótese é rapidamente descartada, pois o estado da pele parece atípico.

Uma reação alérgica é então considerada, sem que nenhuma causa óbvia possa ser identificada. Diante desse mistério médico, a equipe decide recorrer a um psiquiatra para entender melhor a origem do problema.

Uma crença alimentada por super-heróis

Ao longo das entrevistas, o adolescente acaba revelando o real motivo do seu estado. Admirador fervoroso de várias figuras icônicas da Marvel, e em particular do filme X-Men Origens: Wolverine, ele estava convencido de que poderia replicar as habilidades físicas de seus heróis na vida real.

Por essa lógica, ele acreditava que poderia fortalecer seu próprio corpo para imitar Wolverine, famoso por seu esqueleto indestrutível e capacidade regenerativa. Os exames médicos mostram então que as lesões estão ligadas a substâncias perigosas introduzidas deliberadamente sob a pele, causando reações locais graves. Na verdade, ele injetou mercúrio no braço, mercúrio que ele recuperou notavelmente em termômetros.

O relatório médico também especifica um elemento perturbador: “Surpreendentemente, ele não tem outros problemas psiquiátricos e tem um QI normal”.. Os especialistas ressaltam ainda que esse comportamento não foi um ato isolado.

O jovem paciente admite já ter tentado, no passado, reproduzir as origens dos poderes de outros super-heróis. Ele explica em particular que procurou se tornar o Homem-Aranha expondo-se voluntariamente a picadas de aranha, convencido de que isso poderia desencadear uma transformação semelhante à do personagem fictício.

E ele não é o único: o homem que se tornou Caveira Vermelha

Criado por Joe Simon e Jack Kirby, Red Skull é o inimigo icônico do Capitão América e uma figura popular no cosplay. Mas um torcedor levou a homenagem muito além do disfarce: Henry Rodriguez, um venezuelano que mora em Caracas.

A partir dos 37 anos, ele iniciou uma transformação radical para se parecer com o supervilão, começando por ter os olhos tatuados de preto por meio de injeções sob a conjuntiva. Ao longo dos anos, investiu mais de 35 mil euros em grandes modificações corporais, incluindo reconstrução facial, remoção de parte do nariz e instalação de implantes cranianos. O resultado final, marcante e perturbador, torna-a numa das mais extremas homenagens alguma vez dedicadas a esta personagem fictícia.

Herbert Chavez, o super-homem filipino

Em 2013, Herbert Chavez, natural das Filipinas, entrou para o Livro dos Recordes do Guinness por possuir a maior coleção mundial de objetos do Super-Homem: 5.000 peças, das quais “apenas” 1.253 foram levadas em conta para aprovar o recorde. Sua paixão por super-heróis começou aos 16 anos.

Em 1995, ele decidiu fazer uma cirurgia estética para ficar parecido com seu ídolo. Como ele escreveu em Facebook : “Quero ser como ele e sei que ser como ele me deixará feliz e contente, desde que não machuque ninguém.

www.instagram.com/herbertchavez/

Em vinte anos, Herbert Chavez passou por 23 procedimentos, entre lipoaspiração, rinoplastia, aumento de mandíbula, clareamento de pele, injeções labiais, genioplastia para covinha no queixo como a de Christopher Reeve e inserção de hastes metálicas nas pernas para ganhar alguns centímetros. Seus cirurgiões até o impediram de se injetar o perigoso produto MesoLipo para obter abdômen, substância proibida em vários países.

Agora com 49 anos, Herbert Chavez continua viajando para convenções de fãs. Você também pode dar uma olhada em seu Conta do Instagram.

Em 2012, a National Geographic também dedicou a ele um relatório:

Fã do Hulk preso pela tinta verde

Em maio de 2012, a imprensa brasileira relata a história inusitada de Paulo Henrique dos Santos, DJ carioca de 35 anos, conhecido como MC Marronzinho. Grande admirador do Hulk, ele pintava o corpo de verde para se parecer com seu herói favorito.

Um dia, sua loja habitual acabou e ele comprou por engano uma tinta industrial, usada principalmente para mísseis e submarinos nucleares. Após a aplicação, a tinta não sai mais, apesar dos vinte banhos, deixando Paulo completamente verde.

extra.globo.com

Forçado a dormir em lonas plásticas e preocupado com sua saúde, ele precisará da ajuda dos amigos e da mãe, que passará 24 horas esfregando-o para tentar tirar a tinta. O caso, amplamente divulgado pela mídia, permanecerá para ele uma lembrança ruim… da qual, no entanto, ele afirma não se arrepender.

Tony Stark pode ir se vestir?

Personagem fictício bilionário e gênio tecnológico, Tony Stark encarna a fantasia do homem voador graças à alta tecnologia. Mas, além da ficção, o Homem de Ferro inspirou vocações muito reais.

É o caso do britânico Richard Browning, fundador da Indústrias de Gravidadeque desenvolveu um sistema de propulsão a jato acoplado aos braços. Diretamente inspirado no Homem de Ferro, seu protótipo, apresentado em conferência TED, ainda custa US$ 250 mil, preço que o reserva a uma elite.

Graças aos patrocinadores, a Browning continuou o desenvolvimento do seu exoesqueleto equipado com seis turbinas movidas por um tanque dorsal. A máquina agora pode voar por cerca de dez minutos a 8 km/h. Se o combate aéreo em alta velocidade ainda permanece ficção científica, a ideia do homem voador está progredindo, lenta mas seguramente.

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