
Transmitido nesta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, na França 5, Bom prazer apresenta um Presidente da República e seu filho escondido. Adaptado de um romance de Françoise Giroud, o filme, lançado nos cinemas em 1984, anunciou antes do tempo a existência de Mazarine Pingeot, a filha há muito ignorada pelo grande público de François Mitterand?
O poder é sempre fascinante. E, portanto, um material onírico para ficção, seja ela qual for. Do lado da telinha, como não falar da série Castelo de cartascujo final fez com que muita tinta fluísse? No cinema, o tema é eterno, tratado sob diversos ângulos, desde a cinebiografia real O discurso de um rei para o hilariante Bernadeteum retrato excêntrico da esposa de Jacques Chirac, carregado por uma irresistível Catherine Deneuve. Transmitido nesta sexta-feira, 20 de janeiro de 2026, às 21h05. na França 5, Bom prazer também investiga os mistérios da Presidência da República, à sua maneira.
Lançado nos cinemas em janeiro de 1984, Bom prazer é dirigido por Francis Girod. Esta comédia de poder acompanha uma jovem, Claire (Catherine Deneuve, já!), ex-amante do Presidente da República, cuja mala é roubada. Este último contém uma carta que revela a existência de um filho nascido desta união. O Ministro do Interior toma conta do assunto e pede aos seus serviços que encontrem o ladrão. Ele não percebe imediatamente a existência da missiva, ao contrário de seu amigo Herbert, jornalista político. Esta sátira mordaz é uma adaptação do romance homônimo de Françoise Giroud, também co-roteirista do filme. Autora que conhece bem a política, ela que foi Secretária de Estado do Estatuto da Mulher e depois Secretária de Estado da Cultura de Valery Giscard Giscard d’Estaing na década de 1970.
O filme Bom prazer revelou a existência de Mazarine Pingeot, filha do Presidente da República François Mitterand?
Para a visão de Prazersurge uma questão: o filme revelou implicitamente a existência de Mazarine Pingeot, a filha há muito escondida de François Mitterand, que regressou em janeiro de 2024 às circunstâncias em que os seus laços familiares foram revelados ao grande público? Mesmo que o roteiro do filme o sugira, Françoise Giroud, cujo romance foi publicado pela… Mazarine, nunca confirmou esta hipótese. Na biografia publicada em 2011 da romancista e jornalista falecida em 2003, Laure Adler, figura importante dos anos Mitterand, também descarta esta possibilidade. O que resta é a perturbadora semelhança da ficção com uma realidade descoberta pelos franceses em 1994 na primeira página da revista Jogo de Paris. Uma publicação que causou grande rebuliço na época.