Se às vezes você se pergunta até que ponto alguns de seus comportamentos são inatos, ou se você se pergunta sobre a relação entre as coisas e as palavras que as designam, o efeito bouba-kiki deve intrigá-lo. Assim chamada em 2001 pelos pesquisadores Vilayanur Ramachandran e Edward Hubbard (Universidade da Califórnia em San Diego), refere-se à propensão dos humanos de associar espontaneamente não-palavras a formas, assim, “bouba” e “kiki” referem-se respectivamente a uma forma arredondada e uma forma pontiaguda. Este fenómeno foi destacado em 1929 pelo psicólogo alemão Wolfgang Köhler, que testou estas associações com “baluma” e “takete” – veja que formas evocam na sua mente.
Este efeito muito robusto foi observado em diferentes populações, independentemente da cultura e língua, sexo, idade (a partir dos 4 meses), ou mesmo capacidades visuais (foi demonstrado em pessoas cegas). Mas também funciona em pintinhos recém-nascidos. É o que acabam de destacar Maria Loconsole (Universidade de Pádua) e os seus colegas, que descrevem as suas observações em Ciência a partir de 19 de fevereiro.
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