Ficar atento ao mundo sem abrir mão da música, essa é a promessa dos fones de ouvido abertos que se tornaram mais comuns nos últimos meses. Depois de vários testes, fica óbvio: estes produtos são antes de tudo ferramentas de conforto e segurança, muito mais do que instrumentos de alta fidelidade. Nós fazemos um balanço.

Recentemente, não há marca que não ofereça fones de ouvido em formato aberto e, aliás, com um design particular: aqueles que prendem nas orelhas. Observe que esta é uma categoria separada dos fones de ouvido abertos.
Assim, Sony, Bose, Motorola, Huawei, realme, Shokz, Soundcore e até Skullcandy possuem em seu catálogo modelos que utilizam o mesmo princípio. Alguns, como Huawei ou Motorola, até os oferecem em “ jóia “.

Aqui está uma rápida análise dos três últimos modelos que testamos, o Realme Buds Clip, o Huawei FreeClip 2 e o Motorola Moto Buds Loop.

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Um formato, três filosofias

Assim, Realme, Huawei e Motorola (mas também as demais) partem do mesmo princípio: um transdutor colocado na frente do canal, um arco ou ponte em forma de C que circunda a orelha e um canal auditivo deixado completamente aberto. No terreno, porém, o resultado é muito diferente de uma dupla para outra.

Os Realme Buds Clip contam com um clipe flexível em liga de titânio, peso leve e conforto quase impecável, claramente projetado para democratizar o formato. A Huawei, com o FreeClip 2, refina um já icônico design em forma de C usado no FreeClip, mais flexível, mais leve, com certificação IP57 e acompanhado por um case compacto e elegante. A Motorola, por sua vez, adota um gancho mais clássico, extremamente estável, com construção robusta e ” esporte » assumido.

O calcanhar de Aquiles: o baixo sacrificado

Acusticamente, nossos três testes confirmam o que várias décadas de escuta nos levaram a temer: um fone de ouvido aberto não trapaceia com a física. Assim que deixamos o ouvido respirar, os graves profundos desaparecem ou são reduzidos a uma presença simbólica. O Realme contorna parcialmente o problema com um ajuste inteligente e um aumento em torno de 150-200 Hz que dá a ilusão de graves mais robustos do que realmente são.

A Huawei consegue manter um nível aceitável até cerca de 60 Hz, mas o FreeClip 2 perde força muito rapidamente nos sub-graves e fica francamente fino assim que o ruído ambiente aumenta.

Na Motorola, a curva cai exatamente abaixo de 100 Hz, deixando a música eletrônica ou o hip-hop privados de sua base rítmica. Em todos os casos, estamos falando de uma escuta agradável, mas objetivamente incompleta.

Treble forward, stage open: um novo padrão sonoro

A outra característica comum é esta assinatura muito etérea, às vezes até demais. Todos os três modelos exploram o formato aberto para oferecer um ambiente sonoro amplo e respiratório, com separação estéreo muitas vezes mais natural do que em intras tradicionais. Assim, o Realme joga a carta dos agudos finos e controlados, nunca agressivos, o que torna o Buds Clip surpreendentemente “fácil” de conviver no longo prazo.

A Huawei pressiona mais nas altas frequências, a tal ponto que o FreeClip 2 fica francamente desequilibrado em volume alto e quase exige passar pelo equalizador para acalmar as coisas. A Motorola adota agudos bem presentes, às vezes um pouco artificiais, que realçam os detalhes mas podem ser cansativos em produções densas. O ponto positivo é essa impressão de espaço e clareza que é muito adequada para podcasts, vocais e peças acústicas, mesmo que nos afastemos da neutralidade audiófila.

Usos muito direcionados, longe de “ tudo-em-um »

O que os nossos testes nos dizem acima de tudo é a hiperespecialização destes auscultadores. Podemos, portanto, considerar que o Huawei FreeClip 2 se destaca como companheiro esportivo premium: conforto superior, excelente ajuste, kit viva-voz muito eficiente, mas francamente decepcionante para ouvir música assim que você sai em um ambiente barulhento. Os Motorola Buds Loop são quase caricaturados em seu posicionamento: suporte exemplar, autonomia sólida, interface simples, mas um som que coloca a segurança e a presença de vozes antes do puro prazer auditivo.

Por fim, os Realme Buds Clip assumem o seu estatuto de porta de entrada acessível: muito confortável, com uma relação qualidade/preço formidável, com uma assinatura mais equilibrada do que o esperado e um “ simulado » bastante bem administrado pelo preço.

Resumindo, sejamos claros: estes auriculares não substituem um bom auricular ou auricular, complementam uma utilização específica – desporto, escritório em espaço aberto, cidade – onde preferimos ouvir o mundo em vez de ficarmos isolados dele.

O que ganhamos… ou perdemos?

Com este tipo de auscultadores, temos mesmo de reconhecer que a distância entre o conforto de utilização e os requisitos de áudio nunca foi tão visível. Por um lado, ganhamos uma liberdade rara: chega de ouvidos entupidos, chega de isolamento que provoca ansiedade na cidade, chega de desconforto durante longas sessões e até uma relação mais natural com a própria voz nas ligações.

Por outro lado, abrimos mão da profundidade dos graves, da densidade do palco sonoro e da imersão que muitos amantes da música ainda buscam. Para determinadas utilizações, nomeadamente desporto e viagens urbanas, o compromisso faz sentido e estes produtos cumprem perfeitamente o seu papel.

Para aqueles que ainda procuram emocionar-se com os sons muito particulares que a música é capaz, terão que continuar a procurar noutro lugar, ou aceitar estes auscultadores de encaixe como são: ferramentas muito inteligentes, mas fundamentalmente especializadas.

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