Após dezessete meses de vacância, a chegada de um novo embaixador americano à África do Sul, conhecida na terça-feira, 17 de fevereiro, deveria ter prenunciado uma melhoria nas relações entre os dois países. Mas não há garantia de que Leo Brent Bozell III esteja a trabalhar para acabar com a grave crise bilateral. Ao nomear este ultraconservador de 70 anos, Washington escolheu de facto um homem que tem tudo para desagradar Pretória.
Não há vestígios na biografia de Leo Brent Bozell III de experiência em diplomacia nem de apetite pelo continente africano. O homem, que é frequentemente apresentado como escritor – mas suspeito de não ter escrito os seus livros – assumiria o comando da Agência dos EUA para os Meios de Comunicação Globais, gestor, entre outros, da Voz da América (VOA) antes de ser nomeado embaixador em Março de 2025.
Por outro lado, manifestou no passado a sua aversão ao Congresso Nacional Africano (ANC), o partido histórico da luta contra o apartheid, hoje no poder, e a pouca consideração que tinha pela figura tutelar do país, Nelson Mandela. Cinco dias após a morte do ex-presidente sul-africano em 2013, Leo Brent Bozell III lamentou no Twitter (agora X) a forma como um jornalista “ idealiza ». Algumas décadas antes, em 1987, ele já descrevia o ANC como “terrorista”.
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