Foto divulgada pela presidência peruana mostrando o presidente interino José Jeri falando com militares, em Lima, 16 de fevereiro de 2026.

A dois meses das eleições gerais, cujo primeiro turno terá lugar em 12 de abril, o Peru está envolvido numa nova espiral de instabilidade política. Na terça-feira, 17 de fevereiro, o Congresso votou por maioria – 75 votos a favor, 24 contra – a destituição do presidente interino de direita, José Jeri, por “má conduta” e “falta de aptidão” para exercer as suas funções, após apenas quatro meses no poder. Ele sucedeu à presidente Dina Boluarte, ela mesma destituída em 10 de outubro de 2025 pelo Congresso; ela também foi nomeada presidente interina após a destituição de Pedro Castillo em 2022, o último presidente eleito.

Sete moções foram apresentadas contra José Jeri por uma minoria de esquerda, mas também por um bloco de partidos de direita, a maioria no Congresso, que o levou ao poder. Apenas a formação fujimorista (à direita, em homenagem ao ex-presidente Alberto Fujimori, 1990-2000) o apoiou até o fim, alegando querer garantir o “estabilidade” do país às vésperas do processo eleitoral.

Esta nova demissão é o símbolo de um sistema no limite, mantido por um mundo político que perdeu toda a legitimidade aos olhos da população. Os poderes executivo e legislativo são acusados ​​de afundar o Peru numa crise política sem fim, incapazes de resolver o problema número um: a insegurança desenfreada num contexto de crime organizado. Em Outubro, a população saiu massivamente às ruas, denunciando o nível de violência, a corrupção generalizada e a má gestão das elites, precipitando a demissão de Dina Boluarte.

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