Uma palavra no ar. Depois da edição Milão-Cortina, que dura até 22 de fevereiro, os Jogos Olímpicos de Inverno (GO) serão realizados nos Alpes franceses em 2030. Um regresso ao berço deste evento desportivo, cuja primeira edição teve lugar em 1924, em Chamonix (Alta Sabóia). Termina, portanto, um século para as Olimpíadas de Inverno, enquanto o próximo ainda precisa ser inventado. Pela admissão do comité organizador, que continua a prometer uma Olimpíada ecologicamente virtuosa, nada voltará a ser como antes: o aquecimento global parece ser uma ameaça existencial para os Jogos. E, além disso, para este curioso objeto que são os desportos de inverno, cujo modelo alia atividade física e riqueza turística.
Estas práticas de deslizamento e gelo, que são esqui, patinação esportiva (hóquei no gelo, patinação, etc.) e tobogã (trenó, bobsleigh, etc.), parecem-nos hoje tão naturais que o enxerto de onde provêm foi obscurecido. Esta importação teve como pré-requisito uma lenta evolução das sensibilidades. Tradicionalmente descrita como um ambiente hostil, a montanha “tornou-se, a partir do século XVIII, sob a influência do movimento romântico, inúmeras virtudes e passou a ser um espaço “sublime””explica Bertrand Larique, autor de uma tese histórica sobre a economia do turismo.
Ao longo do século XIX, a montanha transformou-se num local apetecível. O excursionismo, o montanhismo e a hidroterapia estão em desenvolvimento. O esqui chega logo: as primeiras competições já acontecem desde meados do século nos países nórdicos, e em particular na Noruega, onde o pioneiro Sondre Norheim (1825-1897) acaba de inventar os esquis modernos. O prazer de esquiar espalhou-se pela Europa e o transplante concretizou-se em França sob o impulso de uma instituição inesperada: o exército, que criou os primeiros batalhões de caçadores alpinos em 1888 para vigiar a sua fronteira com a Itália.
Valorizando o ouro branco
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