Ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, durante reunião com o seu homólogo argelino, em Argel, 16 de fevereiro de 2026.

França e Argélia decidiram relançar “um sistema de cooperação em segurança de altíssimo nível”anunciou o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, terça-feira, 17 de fevereiro, após o encontro com o presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune. Esta cooperação, especificou, traz “tanto na cooperação judiciária e policial, como em questões de inteligência”.

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Este anúncio acontece no segundo dia de uma visita a Argel do ministro francês, que veio renovar o diálogo sobre questões de segurança e tentar descongelar a relação bilateral, em grave crise desde o verão de 2024.

Participaram também nesta entrevista, segundo um vídeo divulgado pela presidência argelina, Boualem Boualem, chefe de gabinete do Presidente Tebboune; Saïd Sayoud, homólogo do Sr. Nuñez; Ammar Abba, conselheiro diplomático do Sr. Tebboune; e o general Abdelkader Aït-Ouarabi, diretor da segurança interna argelina (DGSI).

Antes de sua viagem a Argel, o Sr. Nuñez disse cautelosamente que iria lá para discutir “todas as questões de segurança”nomeadamente na luta contra o terrorismo, uma área em que a Argélia tem um papel a desempenhar, uma vez que faz fronteira com vários países do Sahel.

O caso de Christophe Gleizes

O ministro mencionou também o tráfico de droga e o espinhoso tema das readmissões, ou seja, o regresso de nacionais argelinos em situação irregular em França, que a Argélia não aceita há meses.

Antes da sua visita, o ministro francês também mencionou o caso de Christophe Gleizes, o jornalista desportivo francês que cumpre uma pena de sete anos de prisão por “apologia ao terrorismo”confirmado em recurso em dezembro.

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A relação bilateral deteriorou-se significativamente desde o reconhecimento, no verão de 2024, pela França de um plano de autonomia sob “Soberania marroquina” para o Sahara Ocidental. Neste território, de estatuto indefinido segundo a ONU, há cinquenta anos que um conflito opõe Marrocos aos separatistas da Frente Polisário, apoiados por Argel.

A crise agravou-se com a detenção, em Novembro de 2024, do escritor franco-argelino Boualem Sansal (já perdoado pelo Sr. Tebboune) e após a acusação, em Abril de 2025, de um agente consular argelino acusado de estar envolvido no rapto de um influenciador argelino, Amir DZ. Este caso levou à expulsão recíproca de diplomatas e funcionários consulares.

O mundo com AFP

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