Cultivando saladas acima do Círculo Polar Ártico? Uma aposta na qual Palli Fleischer Lyberth, que vendeu a sua casa para começar, acredita firmemente. A sua ideia: provar que é possível produzir vegetais verdes na Gronelândia.
Um cheiro de capim-limão e terra molhada faz cócegas nas narinas na fazenda vertical do Sr. Lyberth, 37 anos, em Sisimiut, a segunda cidade deste território autônomo dinamarquês.
Em sua estufa improvisada, ele cultiva principalmente mizuna japonesa, alface e microgreens, que vende para navios de cruzeiro, hotéis e supermercados em toda a Groenlândia.
“Muita gente acha uma loucura, porque aqui podemos ter invernos muito frios, com muita neve, mas a vantagem é que você pode usar prédios isolados, luzes LED e bombas que fazem o negócio funcionar”, argumenta.
“Estamos a cerca de 50 quilómetros do Círculo Polar Ártico e, como podem ver, as plantas crescem muito bem aqui”, afirma, mostrando o seu armazém à AFP.
Palli Fleischer Lyberth elogia o frio do seu país, “muito bom para os vegetais verdes”, em contraste com os escaldantes verões europeus, e sublinha ainda a ausência de moscas que danificam as colheitas, o que lhe permite evitar os pesticidas.

Graças aos vídeos do Youtube, ele aprendeu a técnica hidropônica para cultivar suas saladas, sem usar terra.
Um sistema de água irriga as plantas usando um substrato nutriente, um fertilizante líquido que substitui os nutrientes e minerais naturalmente presentes no solo.
Lyberth, que tem experiência em turismo, admite que ainda não é rentável, acumulando contas. Ele espera receber ajuda estatal e continua a acreditar no seu sonho: que a Gronelândia importe menos e produza mais.
Coberto com 81% de gelo, o país importa 3.600 toneladas de vegetais todos os anos, de acordo com um artigo publicado pelo Conselho de Ministros Nórdico (cooperação nórdica) em 2021.