Os cientistas dizem que perfuraram mais profundamente do que nunca sob a camada de gelo da Antártida Ocidental, remontando milhões de anos atrás para revelar pistas de que já foi, pelo menos em parte, um oceano.

De acordo com uma equipa internacional de 29 investigadores de diferentes universidades de todo o mundo, esta vasta área contém gelo suficiente para elevar o nível global do mar em quatro a cinco metros.

O relatório da equipe chamada SWAIS2C, publicado online na quarta-feira na Nova Zelândia (terça-feira na França), cobre suas primeiras observações.

Eles perfuraram 523 metros de gelo e 228 metros de rochas e sedimentos antigos em Crary Ice Rise, um ponto no recife de Ross – uma planície de gelo antártica perto da Nova Zelândia, disse a equipe liderada pela organização de pesquisa Earth Sciences New Zealand, Victoria University of Wellington e agência governamental Antarctica New Zealand.

Ao perfurar o gelo e a rocha abaixo, eles recuperaram amostras que revelam como eram os locais, até 23 milhões de anos atrás.

Os cientistas esperam que, ao estudar como o gelo derreteu no passado, sejam capazes de determinar os fatores que levaram ao seu recuo, incluindo a temperatura do oceano na época.

“Observações de satélite ao longo das últimas décadas mostram que a camada de gelo está a perder massa a um ritmo acelerado, mas há incerteza sobre se os aumentos de temperatura podem desencadear uma rápida perda de gelo”, salienta o relatório.

– “Organismos marinhos” –

“Alguns dos sedimentos eram característicos de depósitos que se formam sob uma camada de gelo”, sublinha Molly Patterson, codiretora científica da Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos.

Mas a equipe também encontrou fragmentos de conchas e restos de organismos marinhos que precisam de luz – indicando em vez disso um oceano, uma plataforma de gelo flutuando no oceano ou uma margem de plataforma de gelo da qual se projetam icebergs, disse Patterson.

Os cientistas já acreditavam que a região já tinha sido um oceano, o que significaria um recuo da Barreira de Ross e um potencial colapso da camada de gelo da Antártica Ocidental.

Mas quando isso aconteceu? Isto é o que permanece incerto.

Estas novas amostras fornecem sequências de condições ambientais ao longo do tempo, bem como evidências diretas da presença de um oceano nesta região, garante a Sra. Patterson.

De acordo com Huw Horgan, da Universidade Victoria de Wellington, outro colíder do projeto, as evidências iniciais mostram que as amostras abrangem os últimos 23 milhões de anos.

Isto inclui períodos em que as temperaturas médias globais da Terra foram significativamente mais altas do que hoje, disse Horgan.

A perfuração foi concluída em janeiro e as amostras foram transportadas de Crary Ice Rise por mais de 1.100 quilômetros através do recife de Ross até a Base Antártica de Scott, de onde serão enviadas à Nova Zelândia para análises adicionais.

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