Quando um dia tentarmos descobrir como era a civilização ocidental na segunda metade do século XXe século, certamente olharemos para a imensa obra do documentarista americano Frederick Wiseman, falecido segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, em Cambridge (Massachusetts), aos 96 anos. Uma grande obra também, composta por cerca de cinquenta filmes, muitas vezes muito longos, que foi convidada, ao longo dos anos, para a infinita variedade de encruzilhadas sociais que animam a vida dos americanos, a ponto de refletir todo o corpo da sociedade. Dificilmente conhecemos alguém igual a este projeto faraônico além de A Comédia Humana por Honoré de Balzac.
Em mais de cinquenta anos, Wiseman filmou o hospital, o liceu, a esquadra da polícia, o tribunal, o armazém, o quartel, o laboratório, a cidade-dormitório, o jardim zoológico, o hipódromo, a universidade, o teatro, o museu, o ginásio de boxe… Tantos lugares de vida colectiva, onde o cidadão encontra as estruturas administrativas ou culturais que regem a sua existência, e que muitas vezes foram agrupadas sob o termo, sem dúvida demasiado genérico, “instituições”.
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