Na praia de Mimizan, o vento parece nunca querer acabar de varrer as ondas, quase esmagando-as contra a areia que, em alguns pontos, sopra para longe. A chuva cai, forte, nesta costa de Landes, que raramente os caminhantes não abandonam. A tempestade Nils passou e os danos são visíveis em todos os lugares. O olhar de quem enfrenta estas condições é invariavelmente atraído por curiosas pequenas manchas escuras, a intervalos regulares, que podem ser confundidas, à distância, com massas de algas.
É aproximando-nos que podemos distinguir que são de facto aves, e mais precisamente papagaios-do-mar: a sua plumagem preta e branca, as suas patas palmadas e o seu bico colorido não deixam margem para dúvidas. Nos 3 quilómetros desta única praia de Mimizan, neste domingo, 15 de fevereiro, havia mais de uma centena de pessoas encalhadas, já mortas ou demasiado fracas para poderem sair.
“Então imagine, por toda a costa atlântica! Milhares de pessoas perderam a vida nos últimos dias. Não víamos um massacre deste tipo desde 2014”suspira Gabriel Jegou, zelador e gestor de comunicações da associação Paloume, cujo centro dedicado à vida selvagem, em Pouydesseaux (Landes), muito perto de Mont-de-Marsan, está neste momento sob ataque. Mais de 200 aves lhe foram confiadas em setenta e duas horas. “E dos 200, existem 190 papagaios-do-mar”110 dos quais ainda estavam vivos no domingo, continua Gabriel Jegou.
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