Um relatório de peritos alerta para o perigo de as orcas de Marineland permanecerem nos seus tanques decrépitos, antes de uma reunião sobre o seu futuro que reunirá o Ministério da Transição Ecológica com todas as partes interessadas na tarde de segunda-feira.
Neste relatório, do qual a AFP obteve cópia, os dois veterinários mandatados pelos tribunais a pedido da ONG Sea Shepherd garantem que o estado de saúde das duas orcas e dos doze golfinhos que ainda permanecem no parque, fechado há mais de um ano, é compatível tanto com a sua permanência no local como com uma transferência.
Por outro lado, notam que o complexo de cinco piscinas onde vivem Wikie (24 anos) e o seu filho Keijo (12 anos), construído em 2001, apresenta “deterioração estrutural avançada”.
Estas bacias permanecem funcionais, graças aos trabalhos de manutenção, mas mesmo assim fragilizadas pelos movimentos do subsolo e susceptíveis de colapso generalizado a qualquer momento.
E neste caso, sem poder transferir urgentemente as orcas para outra bacia, na ausência de equipamento adequado e pessoal permanente no local, a única solução seria sacrificá-las.
Além disso, os veterinários salientam que as orcas são animais sociais que precisam de viver em grupos e que antes da lei de 2021 proibir finalmente a manutenção de cetáceos em cativeiro em França, os regulamentos exigiam que houvesse pelo menos três.

A administração do parque pede há mais de um ano para poder transferi-los para outro parque. O Ministério da Transição Ecológica recusou a transferência para o Japão e depois garantiu que as autoridades espanholas recusaram a transferência para um parque em Tenerife.
Em dezembro, o ministro Mathieu Lefèvre reavivou a hipótese de uma transferência para um santuário na Nova Escócia, mas este santuário ainda é apenas um projeto e a preparação das orcas nascidas em Antibes para a semi-liberdade nas águas canadianas pode levar tempo.
Por outro lado, o relatório conclui que os doze golfinhos do parque estão em grupos suficientes e em tanques bastante bons para aí poderem permanecer, o que favorece o projecto de uma estrutura de recepção no ZooPark de Beauval, apesar da oposição de numerosas ONG.