Num contexto geopolítico em rápida mudança, que marca o fim da “nova ordem mundial” estabelecida após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Europeus estão a tornar-se conscientes da necessidade de adquirir autonomia estratégia aumentada. Esta consciência levanta questões fundamentais relativas à sua segurança e soberania em vários domínios económicos, científicos e militares.

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Entre ciência e estratégia: a nova realidade do espaço militarizado (entrevista)
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É com isto em mente que a França lança o programa Desir (Demonstrador of Sovereign Radar Imaging Elements), uma iniciativa ambiciosa que visa fortalecer sua capacidade de imagem de radar. Este programa enfatiza a soberania tecnológica e promove a cooperação industrial entre os estados europeus, fortalecendo assim a sua independência colectiva face aos desafios contemporâneos.
Devido à natureza sensível e estratégica do programa, o Cnes (Centro Nacional de Estudos Espaciais) e a DGA (Direcção Geral de Armamentos) abstêm-se de divulgar informações sobre o desempenho do radar, que será obviamente superior ao dos radares SAR civis desenvolvidos pela Thales Alenia Space para satélites deObservação da Terra. Além disso, os detalhes relativos à massa e à arquitetura do satélite que transportará este instrumento também permanecem confidenciais.
Contexto e objetivos do Desir
O programa Desir, apoiado pela Cnes e pela DGA, será executado por um consórcio formado por Thales Alenia Space, Loft Orbital e Tekever France. O seu objectivo é desenvolver uma capacidade de imagem por radar espacial soberana francesa, complementar à acordos internacionais existente. O objetivo é criar um setor nacional de imagens de radar, uma tecnologia essencial para as forças armadas e que apoia a autonomia estratégica da França.
As imagens de radar de abertura sintética (SAR) permitirão uma observação eficaz dia e noite e em todas as condições meteorológicas, complementando as capacidades de observação óptica. As aplicações desta tecnologia são múltiplas, servindo não só a inteligência e vigilância militar, mas também utilizações civis cruciais, como a gestão de crises e a vigilância ambiental e marítima.
O programa prevê o comissionamento de um satélite no início de 2029, seguido de dois anos de operação. Esta fase permitirá ao Estado avaliar a eficácia deste modelo inovador na satisfação das suas necessidades de capacidade soberana.
Em resumo, o programa Desir constitui um avanço significativo para a França no domínio da imagem por radar, enfatizando a soberania tecnológica e a cooperação industrial. Esta iniciativa é fundamental não só para reforçar as capacidades militares do país, mas também para as suas aplicações civis essenciais. Ao colaborar com parceiros nacionais, a França aspira dominar tecnologias estratégicas, garantindo ao mesmo tempo uma certa independência económica e técnica.