Deixando para trás a cidade de Valence, a minivan de Abdennour Bidar segue para a zona rural de Drôme. Aqui e ali, vacas, algumas ovelhas, vinhas e placas que indicam a venda direta de alho ou picodon, o queijo de cabra emblemático da região. Na manhã desta sexta-feira de janeiro, o filósofo e escritor chegou de Paris, onde trabalha vários dias por semana, na inspeção geral da educação nacional.
No TGV, ele avançou em um próximo trabalho, que assina com sua companheira e parceira profissional, Inès Weber (A Testemunha. Conselho espiritual para aqueles que buscam o despertar, a ser publicado em abril pela Gallimard). Ele também prepara o lançamento, no dia 12 de fevereiro, de seu vigésimo livro, Islã do coração. (Robert Laffont), um endereço para “Consciências Muçulmanas” sobre a necessidade do Islão abandonar“autodefesa” ir em direção “maturidade divina”.
Abdennour Bidar, 55 anos, realiza todas estas atividades em simultâneo, atento à educação dos seus dois filhos mais novos, ainda na escola, à vida dos seus três filhos na casa dos trinta (acaba de se tornar avô pela primeira vez) e sobretudo mantendo-se focado na sua prática espiritual, que estrutura a sua existência.
Todas as manhãs e todas as noites, na sala de meditação instalada num dos edifícios do Domaine des Tisserands, onde vive há três anos, senta-se com as pernas cruzadas e as mãos abertas sobre os joelhos, rezando um rosário, durante uma hora de silêncio. Um olhar questionador se instala em seu rosto. Seus lábios articulam orações silenciosamente. Diversas mas complementares, as suas aventuras pessoais e profissionais formam, insiste, um todo coerente: a história de um filósofo erudito, muçulmano apaixonado, místico em busca de sabedoria e cidadão empenhado na reconciliação do Islão e da república.
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