Sophie Adenot fixou residência no sábado, com dois norte-americanos e um russo, na Estação Espacial Internacional (ISS) para uma missão de aproximadamente oito meses que marca o regresso de uma francesa ao espaço após 25 anos.

Com um enorme sorriso no rosto, a astronauta de 43 anos entrou pela primeira vez na ISS por volta das 22h30. GMT, pouco mais de duas horas após a acoplagem da espaçonave que a levou até lá ao lado dos americanos Jessica Meir, 48, e Jack Hathaway, 43, e do russo Andreï Fediaïev, 44.

A tripulação chamada Crew-12 demorou cerca de 34 horas a chegar à Estação Espacial Internacional, localizada a 400 quilómetros da Terra, desde o lançamento da sua nave espacial por um foguetão SpaceX no Cabo Canaveral, Florida, na sexta-feira.

Ela e seus companheiros tiveram então que seguir um briefing de segurança com o americano Christopher Williams e os russos Sergei Koud-Svertchkov e Sergei Mikaïev, presentes na ISS desde o final de novembro.

“Tenho orgulho de levar a França e a Europa nesta incrível aventura que ultrapassa fronteiras. Conte comigo para compartilhar todas as etapas com você e fazer as estrelas brilharem nos olhos dos franceses”, prometeu também Sophie Adenot logo após a atracação.

– “Um dia serei eu” –

Engenheira de formação e ex-piloto de testes, ela é a 84ª mulher a ir ao espaço, mas apenas a segunda francesa, depois da pioneira Claudie Haigneré em 1996 e 2001.

Foi também um roubo desta última que lhe deu “o gatilho” quando tinha 14 anos. “Foi quando disse a mim mesma: ‘um dia serei eu’”, confidenciou recentemente.

Tendo se tornado sua mentora, Claudie Haigneré viajou para a Flórida para decolagem, adiada por dois dias devido às más condições climáticas.

“No espaço como na Terra, é unindo forças que realizamos o extraordinário”, comentou o presidente Emmanuel Macron na rede social X após esta “acoplagem bem sucedida”.

Um pouco antes, o astronauta francês Thomas Pesquet, que despertou o interesse do grande público durante duas estadias na ISS em 2016-2017 e em 2021, desejou-lhe, também no X, “bem-vindo ao espaço”.

Em França, várias centenas de pessoas acompanharam o primeiro voo de Sophie Adenot na Cité des Sciences, em Paris, e na Cité de l’Espace, em Toulouse (sudoeste), reduto da agência espacial francesa (Centro Nacional de Estudos Espaciais ou Cnes).

“Estamos aqui pela Sophie, para testemunhar a emoção e a intensidade da decolagem”, explicou Frédérique Rossignol, 68 anos, no meio da multidão.

– Laboratório único –

Ocupada continuamente durante 25 anos, a ISS constitui um laboratório científico sem paralelo, mas também uma das últimas áreas de cooperação internacional entre ocidentais e russos.

Esta aventura colaborativa está, no entanto, prevista para terminar em 2030, quando a Estação Espacial Internacional for desativada, abrindo caminho à privatização desta área.

Entretanto, as agências espaciais pretendem aproveitar ao máximo este laboratório único. Durante a sua missão, Sophie Adenot participará em mais de 200 experiências científicas.

Este último centrar-se-á na microgravidade, para estudar em particular os seus efeitos a longo prazo no corpo humano, mas também no ambiente espacial.

A francesa vai, por exemplo, testar o EchoFinder, sistema desenvolvido pelo Cnes, que deverá permitir aos astronautas realizar ecografias com total autonomia, graças à inteligência artificial e à realidade aumentada.

Com seus companheiros, ela deverá retornar à Terra em outubro.

O próximo lançamento planejado para a NASA, o de astronautas ao redor da Lua, como parte da missão Artemis 2, não antes de março.

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