De acordo com o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), as temperaturas médias na superfície do globo poderão aumentar 2°C até 2050 e 4°C até 2100. Na capital, isto significa episódios de ondas de calor que se tornarão mais numerosos e mais graves, caracterizados por temperaturas que poderão ultrapassar os 50°C durante vários dias no verão, com a consequência de uma mortalidade muito elevada.

Enquanto o aquecimento global já está começando a produzir ilhotas de aquecer e cúpulas térmicas prejudiciais à qualidade de vida e à saúde dos moradores da cidade em todas as ruas e bairros, Paris conta com a intensificação da vegetação, a multiplicação de áreas sombreadas, a implantação de pontos de água locais e a disponibilização de espaços climatizados para proteger os moradores.

Paris busca frescor

Esta estratégia requer redesenvolver o existente. A capital pretende obter 40% de vegetação adicional até 2030, criando 55 hectares de novos espaços verdes, jardins e parques, plantando maisárvores e aumentando o número de plantadores nas ruas. Além disso, a implantação de abrigos temporários de sombra em locais particularmente expostos, neste caso aqueles que não beneficiam da sombra das árvores, também oferece uma protecção eficaz aos parisienses. Até à data, 40 locais já estão equipados com velas ou pérgulas e o seu número aumentará nos próximos anos.

Além disso, 70 edifícios públicos já foram adaptados para limitar o sobreaquecimento graças às plantas plantadas nas suas fachadas ou à refrescante pintura branca que cobre os seus telhados. Alguns foram equipados com cervejariasarcapaz de baixar a temperatura em 3°C temperatura sentida nas salas mais expostas.

Além disso, a capital também beneficia de 1.300 bebedouros, distribuídos por todos os bairros. Finalmente, a reabertura do Bièvre – um afluente do Sena que havia sido soterrado pela urbanização no início do século XXe século – criará novas ilhas de frescura, nomeadamente com a renaturalização gradual das suas margens.

Paris deve se adaptar às ondas de calor. © Correio Internacional

O Grande Plano Quente

Outra ferramenta decisiva de adaptação, o Grande Plano Quente, inspirado no Grande Plano Frio, permite antecipar episódios de calor muito elevado e implementar diversas medidas para proteger os parisienses. Este sistema é composto por quatro etapas, que vão desde o monitoramento sazonal até o alerta extremo. Em detalhe, prevê, em caso de temperaturas escaldantes, a disponibilização de estações de metro que funcionarão como abrigos climatizados, a abertura de parques e jardins até à meia-noite, bem como espaços refrigerados nas câmaras municipais durante o dia, acesso gratuito a museus com percursos climatizados.

Além disso, a criação de um mapa de áreas frescas permite que todos conheçam a localização de bebedouros e espaços sombreados.

Amanhã, uma capital mais bem equipada para enfrentar as ondas de calor

Até à data, estas medidas já permitiram reduzir em 50% a mortalidade relacionada com o calor. Constituem um laboratório de adaptação a temperaturas extremas que transformarão profundamente a capital.

Em 2050, quando são esperados 34 dias de calor por ano, cada parisiense terá à sua disposição uma ilha de frescor a menos de sete minutos de casa. Casas de sombra e nebulizadores invadirão espaços públicos durante o verão, enquanto áreas sombreadas por plantas se tornarão mais numerosas ao longo de ruas, avenidas e praças.

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