Há um aspecto africano, ainda pouco conhecido, no extenso caso Epstein. Na Costa do Marfim, em particular, várias figuras públicas proeminentes são citadas nos três milhões de documentos publicados em 30 de Janeiro pelo Departamento de Justiça americano.
A começar por Nina Keita, sobrinha do Presidente da República, Alassane Ouattara. Esta ex-modelo e ex-conselheira do ministro do Orçamento Abdourahmane Cissé (2014-2016), de 44 anos, casada com o ministro do Trabalho Adama Kamara, é, desde 2019, a número dois na empresa pública que gere fundos petrolíferos na Costa do Marfim (Gestoci). Por outras palavras, uma figura do clã no poder em Abidjan.
A correspondência fornecida (várias centenas de mensagens) que este último trocou com Jeffrey Epstein – falecido na prisão em Nova Iorque em 2019 – entre 2011 e 2018 revela uma estreita amizade e colaboração na encruzilhada de géneros, característica do financista e pedófilo americano. Segundo documentos publicados, Nina Keita apresentou-o em 2011 ao seu tio, recentemente eleito para a presidência da Costa do Marfim, em Nova Iorque, e organizou, em 2012, um segundo encontro, em Abidjan, durante o qual o norte-americano também viu vários ministros em funções para discutir projectos de investimento. Nina Keita também serviu como intermediária entre Alassane Ouattara e Jeffrey Epstein nas negociações que resultaram na compra, em 2014, de um sistema de vigilância a Israel, e de um Boeing 727 para a presidência. Nina Keita também apresentou mulheres jovens, ou meninas, a Jeffrey Epstein, a pedido dele.
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