É um sonho de infância que ela se prepara para tornar realidade: após anos de preparação, a astronauta francesa Sophie Adenot deve voar para a Estação Espacial Internacional na sexta-feira para sua primeira missão, que marcará o retorno de uma francesa ao espaço após 25 anos.

Acompanhada por dois norte-americanos e um russo, a francesa de 43 anos embarcará num foguetão da SpaceX, empresa espacial do multimilionário Elon Musk, para uma viagem de mais de 30 horas até à ISS.

A largada, que será dada no Cabo Canaveral, na Flórida, está marcada para as 5h15 locais (10h15 GMT), depois de ter sido adiada por dois dias devido às más condições climáticas.

Instalada na espaçonave Crew Dragon, a tripulação desta missão chamada Crew-12 ingressará no laboratório orbital por volta das 20h15. GMT no sábado para uma estadia de oito a nove meses.

Sophie Adenot se tornará nesta ocasião a segunda francesa na história a voar para o espaço, depois da pioneira Claudie Haigneré em 1996 e 2001, que a inspirou e cujo distintivo ela usará.

“Eu tinha 14 anos, cliquei quando vi decolar (…). Lembro-me muito bem que foi nesse momento que disse para mim mesmo ‘um dia serei eu’”, confidenciou recentemente aquele cujo quarto de filho estava decorado com cartazes de foguetes.

– Laboratório único –

Trinta anos depois desta experiência marcante e de um percurso de excelência ditado por este sonho, este engenheiro de formação e ex-piloto de testes entrará por sua vez na História, alguns anos depois de outro francês, Thomas Pesquet.

Apreciado pela sua boa índole, este último reavivou o interesse do público em geral pelo espaço durante duas estadias na ISS.

Assim como ele, dona Adenot, de sorriso largo e cabelos castanhos presos em rabo de cavalo, já usa as redes sociais para compartilhar seu extraordinário cotidiano.

A francesa Sophie Adenot, 84ª mulher no espaço (AFP - Jean-Philippe CHOGNOT, Paz PIZARRO)
A francesa Sophie Adenot, 84ª mulher no espaço (AFP – Jean-Philippe CHOGNOT, Paz PIZARRO)

“Estamos orgulhosos, orgulhosos de ter uma mulher francesa que liderará esta missão maravilhosa, orgulhosos de continuar a aventura espacial através de vocês”, assegurou-lhe o presidente Macron na semana passada durante uma videoconferência organizada no Eliseu.

Durante a sua estadia a 400 quilómetros da Terra, Sophie Adenot participará com os seus colegas em mais de 200 experiências científicas.

Este último centrar-se-á, por um lado, na microgravidade, para estudar em particular os seus efeitos a longo prazo no corpo humano e, por outro lado, no ambiente espacial.

O astronauta vai, por exemplo, testar o EchoFinder, sistema desenvolvido pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais (Cnes), que deverá permitir aos astronautas realizar ultrassonografias com total autonomia, graças à inteligência artificial e à realidade aumentada.

Ela também será submetida a uma série de testes neurossensoriais para avaliar o efeito de sua permanência em órbita na memória, na assunção de riscos e no reconhecimento de emoções.

– Cooperação internacional –

A sua missão, que deverá terminar em outubro com o seu regresso à Terra, foi algo complicada por uma série de contratempos, entre o regresso prematuro de uma tripulação anterior da ISS por razões médicas e restrições de calendário ligadas a outra missão tripulada da NASA, desta vez à Lua.

E o cosmonauta russo há muito planejado para acompanhá-lo foi removido com urgência da equipe no ano passado devido a suspeitas de espionagem, segundo analistas, sem que a NASA confirmasse este ponto. Ele foi substituído por outro cosmonauta.

Ocupada continuamente há 25 anos, a ISS é um laboratório científico sem paralelo, mas também uma das últimas áreas de cooperação internacional entre americanos e russos.

Esta aventura colaborativa está, no entanto, prevista para terminar em 2030, quando a Estação Espacial Internacional será aposentada. As estações espaciais entrarão então numa era mais comercial, semelhante ao que já aconteceu com os foguetes.

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