
A tromba de um elefante pode levantar uma árvore e agarrar uma batata frita sem quebrá-la, uma combinação de força e delicadeza possível graças aos seus bigodes, revelou um estudo publicado na quinta-feira na revista americana Science.
O estudo detalha como as propriedades únicas dos pelos que cobrem a tromba dos elefantes lhes permitem uma destreza extraordinária.
Os elefantes nascem com cerca de 1.000 vibrissas, órgãos sensoriais mais comumente chamados de bigodes, disse à AFP o principal autor do estudo, Andrew Schulz. A maioria desses pêlos está ancorada nas rugas da tromba e atua como antenas, ajudando os animais a compreender o seu ambiente.
Uma equipe de engenheiros, neurocientistas e outros cientistas especialistas analisou a geometria, a porosidade e as propriedades dessas vibrissas, esperando encontrar resultados semelhantes aos de camundongos e ratos: uma estrutura circular, sólida e rígida de ponta a ponta.
Mas os pesquisadores descobriram que as vibrissas dos elefantes são mais parecidas com lâminas, com uma estrutura porosa semelhante aos chifres das ovelhas que os ajuda a absorver o choque quando comem.
Outra diferença, observa Andrew Schulz: a estrutura atípica desses fios, que ajuda a amplificar o sentido do tato.
“Acho que a descoberta mais incrível que fizemos é que esses fios de cabelo têm uma base muito, muito rígida, que depois se transforma em uma ponta muito, muito macia”, diz o pesquisador do Instituto Max Planck de Sistemas Inteligentes, com sede em Stuttgart, Alemanha.
Estes bigodes evoluem para não se partirem porque, ao contrário da maioria dos mamíferos com vibrissas, os dos elefantes não voltam a crescer, sublinha o investigador.
– Tecnologia de ajuda –
Em outros animais, as vibrissas são frequentemente menos sensíveis do que nos elefantes.
Os bigodes de um rato, por exemplo, captam vibrações, mas com muito menos precisão. Ao contrário dos gatos, cuja estrutura é mais próxima da dos elefantes e, portanto, permite mais sensibilidade, segundo Andrew Schulz.
A estrutura das vibrissas do elefante, primeiro rígida e depois flexível, ajuda-o a diferenciar os objetos quando procura comida e quando come, sua principal atividade.
Outras pesquisas com elefantes mostram que eles usam a tromba para fazer contato social. “Eles utilizam a parte externa do tronco, ou seja, as partes cobertas de vibrissas”, sublinha Schulz.
Caitlin O’Connell-Rodwell, pesquisadora de ecologia comportamental e especialista em elefantes que dedicou seu trabalho a explorar sua forma de comunicação e destacar sua comunicação sísmico-acústica, chamou as descobertas de “fascinantes”.
“É realmente emocionante para mim ver mais confirmações da sensibilidade do seu tronco”, disse ela à AFP.
Estes resultados podem ajudar futuras investigações sobre o comportamento dos elefantes, sublinha, estimando que “isto não só lhes permite chegar mais facilmente aos frutos ou vagens das árvores”, mas também pode “ter implicações em termos de comunicação”.
Seus bigodes também poderiam inspirar a tecnologia, especialmente a robótica, sublinha Andrew Schulz.
Encontramos a sua estrutura – rígida na base, flexível na extremidade – “em toda a biologia”, acrescenta o investigador, nomeadamente ao nível dos ligamentos cruzados anteriores.
Uma melhor compreensão destas estruturas poderia, por exemplo, melhorar as tecnologias de reparação.