A LISTA DA MANHÃ

Esta semana, “Le Monde des livres” convida você a ler o novo livro do grande escritor indiano Arundhati Roy, Meu refúgio e minha tempestadeperto de sua mãe, uma mulher notável (e formidável); o novo álbum de Joann Sfar, Terra de Sangueque testemunha os seus encontros, especialmente com os palestinos da Cisjordânia; o teste Crimes contra a humanidade na ESMAsob direção de Claudia Feld e Marina Franco, que detalha a história de um local de tortura e morte em Buenos Aires, durante a ditadura (1976-1983); a antologia, da coleção “Quarto”, de obras do italiano Curzio Malaparte, autor de Kaputt ou Pele ; finalmente, a nova história de Christophe Boltanski, O litoralque evoca a figura do seu bisavô, funcionário da alfândega em Barfleur (Manche).

NARRATIVA. “Meu refúgio e minha tempestade”, de Arundhati Roy

Já se passaram oito anos desde que a grande escritora indiana Arundhati Roy tocou em algo que não fosse o ensaio, lutando incansavelmente contra os desastres ambientais, o ultraliberalismo, o nacionalismo hindu… Já se passaram oito anos desde que seus admiradores definharam, esperando por um texto mais pessoal do autor de Deus das pequenas coisas (Gallimard, 1998). Aqui está. Meu refúgio e minha tempestade ainda é uma história de combate, mas de combate íntimo. A autora pinta o retrato inesquecível da sua mãe, Mary Roy, uma mulher forte e empenhada, professora em Kerala, uma figura tão luminosa e carismática quanto formidável e dura, de quem teve que fugir cedo para se desenvolver, mas que lhe transmitiu o gosto pela escrita, a probidade intelectual e a liberdade.

Neste texto, uma mistura de autobiografia e autoficção, Roy conta para explicar a si mesma o mistério desta personalidade imprevisível, simultaneamente “refúgio” e “tempestade”. O texto avança em rajadas, retornos, obsessões, como se a própria linguagem mimetizasse o trabalho da memória traumática, a ambivalência irredutível do amor-raiva da filha pela mãe. Mostra que a dissidência pública do escritor tem as suas raízes neste contexto privado e pinta implicitamente um retrato da Índia desde a década de 1960 até aos dias de hoje. Livro esplêndido, todo contido em emoção, combinando clareza e profundidade, Meu refúgio e minha tempestade prova mais uma vez o imenso talento de um escritor que voltou à prosa narrativa não para contar histórias, mas para mostrar de onde vem aquele, o dela, que ela nunca deixou de rejeitar e valorizar. Fl.N.

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