A gripe aviária está a progredir e tornou-se endémica em todo o Hemisfério Norte. Porém, o sul não é poupado, nem o extremo sul. Assim, o vírus dizimou pelo menos 667 mil aves selvagens e 53 mil mamíferos selvagens na América do Sul, entre 2022 e 2023. Os investigadores documentaram agora pela primeira vez uma mortalidade massiva de aves na Antártida. Cerca de 50 skuas de aves marinhas morreram devido ao vírus influenza A (H5N1) durante os verões de 2023 e 2024.

Esse vírus é terrível: nos skuas, ele se aloja no cérebro e causa “necrose de múltiplos órgãos“e um”morte rápida“, relata estudo sobre o assunto publicado em 14 de janeiro de 2026 na revista Relatórios Científicos. Nenhuma avaliação recente do número de skua foi realizada, mas suas populações parecem pequenas. Em 1984, estimou-se que havia 650 casais reprodutores de skuas McCormick e 150 pares de skuas antárticos na Península Antártica. As consequências da morte de 50 deles poderão, portanto, ser devastadoras.

Além disso, essas aves possuem uma ampla variedade e são necrófagas, capazes de se alimentar até mesmo dos cadáveres de seus conspecíficos infectados. Estas particularidades fazem com que o “skuas podem desempenhar um papel importante na propagação do vírus pela Antártica“, temem os autores do estudo.

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Um vírus que progride rapidamente

O vírus H5N1 foi descoberto em 1996, na China, numa fazenda de gansos. “Durante vários anos, a doença permaneceu fora de controlo na indústria avícola, espalhando-se mais tarde para aves selvagens, depois para a Europa, Médio Oriente, África e mais tarde para a América do Norte, América do Sul e, no início de 2024, para a Antárctida.“, observa em comunicado a Universidade da Califórnia em Davis (Estados Unidos), que participou da documentação do massacre de skua.

Esta difusão é o resultado de uma verdadeira imprudência. “Naquela hora (em 1996, nota do editor)pouco foi feito para conter a propagação do vírus“, comentou anteriormente Ciência e Futuro por Pierre Bessière, virologista e titular da cátedra de patrocínio Interfaces da escola veterinária de Toulouse. O especialista acrescentou: “Se chegar ao continente Antártico, sabendo que já atingiu as ilhas vizinhas, poderá ser um desastre ecológico, tanto para aves como para mamíferos.“. Já está feito, há três anos.

Outra ameaça à biodiversidade na Antártica

No total, o vírus foi detectado pelos investigadores em cinco espécies na Antártida (mesmo que não tenha sido necessariamente a causa da morte destas aves): o skua antárctico, o skua McCormick mas também, em menor grau, no pinguim gentoo, no pinguim Adélie e no petrel gigante. A detecção foi feita em quatro locais separados por vários quilômetros. Prova de que o vírus H5N1 “já estava disseminado na parte norte da Península Antártica em março de 2024, apenas dois meses após a sua primeira detecção na Antártica“, observam os autores do novo estudo.

Aquecimento global, aumento do turismo, espécies invasoras: a biodiversidade na Antártida já está em grande parte sob pressão. Atualmente é difícil prever como a situação irá evoluir, mas o investigador Thijs Kuiken, coautor do estudo, está pessimista: “Tudo sugere que este vírus se espalhará ainda mais. Se ninguém monitorar a situação, não saberemos o que acontece“.

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