Numerosos estudos já demonstraram o papel da nossa dieta no desenvolvimento de patologias como a diabetes, certas doenças autoimunes e também alguns cancros como o fígado, pâncreas ou cólon. Mas, a ideia de que uma dieta rica em açúcares e as gorduras podem promover o câncer de pulmão foi pouco explorada até agora. Um estudo recente publicado em Metabolismo da Natureza muda a situação evocando uma ligação direta entre a dieta ocidental e a progressão de um tipo muito comum de câncer de pulmão : eu’adenocarcinoma pulmonar (LUAD).

Glicogênio, um “deleite” para células de câncer de pulmão

No centro deste estudo está um molécula bem conhecido: o glicogêniouma cadeia de glicose (açúcar) utilizada pelo nosso corpo como reserva deenergia. Pesquisadores do Departamento de bioquímica e de biologia molecular da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, descobriram que o glicogênio se acumula em grandes quantidades nos tecidos pulmonares de pacientes com LUAD.

Para conduzir esta pesquisa, eles usaram uma tecnologia inovadora chamada metabolômica espacial, que permite mapear moléculas diretamente nos tecidos. Graças a esta abordagem, puderam observar que quanto maior o nível de glicogênio, maior o crescimento do tumor foi rápido.


Uma dieta rica em gorduras e açúcares aumenta os níveis de glicogênio nos tecidos pulmonares e contribui para o crescimento do adenocarcinoma pulmonar. © monticello, Adobe Stock

O impacto dos regimes ocidentais destacado

Para ir mais longe, os cientistas realizaram experiências em ratos baseando a sua dieta numa dieta ocidental, rica em gorduras e açúcares. Resultado: os tumores pulmonares cresceram muito mais rapidamente naqueles com níveis elevados de glicogênio. Por outro lado, o crescimento do tumor diminuiu quando os níveis de glicogênio diminuíram. Em outras palavras, este último atuaria como combustível para as células cancerígenas.

Uma nova arma na prevenção do câncer de pulmão?

Será esta descoberta uma mudança de jogo na luta contra o cancro do pulmão? Talvez sim.

Por um lado, estes resultados reforçam a ideia de que é importante aumentar a consciência do público em geral sobre o impacto da dieta alimentar em certos tipos de cancro do pulmão. Tal como as campanhas reduziram o tabagismo, novas acções de saúde pública poderiam encorajar hábitos alimentares mais saudáveis, especialmente entre as pessoas em risco.

Por outro lado, o glicogénio poderia tornar-se um biomarcador útil para avaliar a progressão do cancro e refinar a prognóstico em pacientes com LUAD. Em última análise, isso poderia até orientar certas decisões terapêuticas.

Em suma, comer melhor pode não só prevenir certos tipos de cancro do pulmão, mas também ajudar a melhor compreendê-los e tratá-los. Uma perspectiva encorajadora, desde que transformemos estas descobertas científicas em ações concretas.

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