Durante uma entrevista esta quinta-feira à BFMTV, o presidente da LR recordou “ter entrado no governo para bloquear a esquerda”, para não se encontrar sob a autoridade de um primeiro-ministro “a fazer acordos” com o PS.
Olhando para trás, Bruno Retailleau garante que não se arrepende da sua saída retumbante do governo, após um ano passado na Place Beauvau. “Pelo contrário”disse ele na noite desta quinta-feira na BFMTV, acreditando que os acontecimentos provaram que ele estava certo a posteriori. Foi de facto através de um simples tweet que o antigo Ministro do Interior provocou, no início de Outubro, a queda da equipa “Lecornu 1”, alegando que a composição do governo não correspondia às expectativas do seu partido, Les Républicains (LR) – em particular a nomeação surpresa de Bruno Le Maire para as Forças Armadas. Um mês depois, a Vendéen reescreve a história à sua maneira.
Entrou no governo de Michel Barnier, em setembro de 2024, para “bloquear a esquerda”depois de as eleições legislativas pós-dissolução terem produzido uma Assembleia Nacional sem maioria, mas com um NFP em posição de força e exigindo Matignon, Bruno Retailleau afirma ter antecipado a viragem de Sébastien Lecornu. Essa premonição, segundo ele, teria precipitado o fim do seu contrato de locação. “As suas palavras durante a declaração de política geral poderiam ter sido ditas por um primeiro-ministro de esquerda”ele abordou, acrescentando que ainda teria “resignado” após o anúncio de novos impostos e a suspensão da reforma previdenciária.
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“Não podemos nos desviar: quando estamos à direita, não estamos à esquerda”trovejou ele, aquele que acredita que não poderia ter permanecido sob a autoridade de um primeiro-ministro “fazer acordos” com os socialistas. Desde a sua renomeação na rue de Varenne, Eurois tem de facto lutado para obter a boa vontade dos deputados socialistas – agora mestres do jogo parlamentar – para evitar ser derrubado. E por uma boa razão: não podendo contar com a neutralidade das tropas nacionalistas – o RN censura sistematicamente qualquer governo na esperança de provocar o regresso às urnas – Sébastien Lecornu vê-se forçado a ceder o lastro a parte da esquerda nas discussões orçamentais.
Socialistas, “ladradores”
O suficiente para irritar um pouco Bruno Retailleau: “Olivier Faure (primeiro secretário do PS) decide e, infelizmente, o Primeiro-Ministro cumpre”, deixou escapar o líder do partido de direita, adoptando a famosa fórmula pronunciada em 2004 por Jacques Chirac, então presidente, para reafirmar a sua autoridade à atenção de Nicolas Sarkozy, então Ministro da Economia… e já emboscado para o suceder. “Não pertenço a um governo que teria tomado posições contrárias às minhas convicções”saudou o patrão da LR, como que a assumir, mais uma vez, a sua escolha de ter batido a porta do governo.
O antigo Ministro do Interior considera-se ainda mais tranquilo na sua decisão pelo facto de Sébastien Lecornu ter, segundo ele, dado crédito à linha económica dos socialistas – “latidores”, ele acusa a esse respeito. “Eles alimentaram os franceses com duas mentiras: uma, “trabalhe menos e você viverá melhor” é falso; dois, “o gasto público é virtuoso e causa crescimento”, é falsoguinchou Bruno Retailleau. Se fosse verdade, seríamos os mais felizes do mundo.