A notícia valeu uma visita presidencial. Emmanuel Macron viajou, terça-feira, 10 de fevereiro, a Mardyck (Norte), perto de Dunquerque, a uma das instalações da ArcelorMittal, para acolher o anúncio da próxima construção no local de um forno elétrico, o maior do grupo siderúrgico na Europa. Com uma capacidade de produção estimada em “2 milhões de toneladas de aço por ano”segundo Reiner Blaschek, CEO da ArcelorMittal Europa, este forno, cujo start-up está previsto “para 2029”deverá permitir a produção de aço com “três vezes menos” emissões de carbono do que um alto-forno convencional. O projeto exige um investimento de 1,3 mil milhões de euros, metade dos quais será financiado por certificados de poupança de energia, um mecanismo regulatório supervisionado pelo Estado que incentiva a redução de CO2.
A decisão é importante para a multinacional, segunda maior siderúrgica do mundo, depois de ter suspendido os seus planos de investimento na Europa em termos de descarbonização desde o final de 2024. Principalmente em Dunquerque, cujo complexo é uma das 50 unidades industriais que mais emitem gases com efeito de estufa em França. Um primeiro plano, mais ambicioso, de 1,8 mil milhões de euros em investimentos, incluindo 850 milhões em ajuda pública, previa a substituição de dois altos-fornos por fornos eléctricos, mas foi abandonado em Novembro de 2024, levantando receios de um desligamento gradual do grupo em França. “Éramos muito esperados, sabíamos, agora estamos aí”declarou o CEO francês do grupo, Alain Le Grix de la Salle, na terça-feira.
A operação também ilustra a estratégia que Macron quer intensificar em França e coordenar a nível europeu: proteção contra o dumping industrial de potências estrangeiras – em particular a China – e apoio a investimentos e inovação no domínio das tecnologias ligadas à transição ecológica.
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