Quase dez anos após a criação do movimento de Emmanuel Macron, En Marche!, a questão tornou-se um velho refrão: como se chama o Macronismo? Um negócio de acesso ao poder? Pragmatismo com um corpus ideológico flutuante? Uma modernização da função presidencial? Sem respostas claras, a questão desloca-se cada vez mais para o balanço à medida que se aproxima o final do segundo mandato de cinco anos: o que restará?
A reflexão ganhou terreno nos últimos meses dentro do próprio campo presidencial à medida que avançava a discussão sobre o orçamento, que foi definitivamente aprovado na segunda-feira, 2 de fevereiro. E por uma boa razão: os responsáveis eleitos da Renascença tiveram de concordar silenciosamente com uma série de renúncias para permitir a estabilidade política e evitar a censura do governo de Sébastien Lecornu.
Único totem do segundo mandato de Emmanuel Macron, a reforma das pensões foi suspensa, a fim de extrair por pouco um compromisso dos socialistas sobre a lei de financiamento da Segurança Social. Antes que o governo concorde, na sequência da negociação do Orçamento do Estado, em minar a política de abastecimento, um dos pilares doutrinários do macronismo desde 2017 – mantendo a sobretaxa sobre os lucros das grandes empresas ou mesmo renunciando à redução da contribuição sobre o valor acrescentado das empresas.
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