De acordo com duas projeções da televisão nacional baseadas em sondagens de boca de urna, o socialista moderado António José Seguro, de 63 anos, obteria 67 a 73% dos votos, contra 27 a 33% do candidato de extrema-direita André Ventura e presidente do partido Chega (“Basta”), devendo, portanto, suceder ao conservador Marcelo Rebelo de Sousa, no cargo há dez anos, em 9 de março.
Embora André Ventura tenha prometido um “romper” com os partidos que governam Portugal há 50 anos, o vencedor, antigo secretário-geral do Partido Socialista (2011-2014), anunciou-se como candidato unificador e alertou contra “o pesadelo” em que o país correria o risco de se encontrar se o seu adversário ganhasse.
Depois de passar uma década afastado da vida política, este antigo deputado e ex-ministro venceu a primeira volta com 31,1% dos votos e desde então garantiu o apoio de numerosas figuras políticas da extrema esquerda, do centro e até da direita, mas não do primeiro-ministro Luis Montenegro.
O chefe do governo minoritário de direita, que no Parlamento depende ora dos socialistas, ora da extrema direita, recusou-se a dar instruções de voto para a segunda volta após a eliminação do candidato apoiado pelo seu partido.
Ventura já tinha atingido um novo patamar ao qualificar-se para a segunda volta com 23,5% dos votos, confirmando assim o progresso eleitoral do seu partido, que se tornou a principal força da oposição no final das eleições legislativas de maio de 2025.
Papel presidencial principalmente simbólico
Ao lançar-se na corrida presidencial, este autoproclamado “candidato do povo” procurou principalmente “consolidar sua base eleitoral” mas também para “afirmar-se como o verdadeiro líder da direita portuguesa”explicou José Santana Pereira, professor de ciências políticas no Instituto Universitário de Lisboa, à agência France-Presse (AFP) antes da votação.
Se o papel do chefe de Estado português é sobretudo simbólico, ele é chamado a desempenhar o papel de árbitro em caso de crise e tem o poder de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas antecipadas.
Dado que “o governo ainda não tem maioria no Parlamento”o novo presidente “permanecerá no centro do jogo político”comentou o cientista político Bruno Ferreira da Costa, da Universidade da Beira Interior, à AFP.
Após a primeira volta, a campanha foi completamente perturbada pelas tempestades mortais que varreram Portugal nas últimas duas semanas, levando cerca de vinte dos círculos eleitorais mais afectados a adiar a votação por uma semana.
A esmagadora maioria dos 11 milhões de eleitores em Portugal e no estrangeiro foram, ainda assim, chamados a votar no domingo e, apesar dos receios de uma desmobilização dos eleitores, a abstenção deverá manter-se em linha com a taxa de 47,7% registada na primeira volta, que registou a maior participação desde as eleições presidenciais de 2006.