Todos os dias, a natureza torna-se dura, curiosa, ameaçadora, fascinante, sedutora, séria ou esperançosa. Tudo, na maioria das vezes, longe da nossa vista. Exceto quando fotógrafos se envolvem. No passado mês de Outubro, uma das competições mais prestigiadas, o Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano – desenvolvida e produzida pelo Museu de História Natural de Londres – premiou cem desses momentos ocultos – entre mais de 60 mil fotos recebidas pelos membros do júri.

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Essas imagens que não podemos mais esquecer: aqui estão as fotos mais poderosas do mundo selvagem do ano
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E se falarmos sobre isso novamente hoje nesta coluna “Foto da semana”é porque o preço público do Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano resta ser concedido. A votação está aberta online até 25 de março. Então, na sua opinião, qual das 24 fotos concorrendo merece ser premiada?
Uma luta sem fim

Esta foto, como símbolo da ligação íntima que existe entre a vida e a morte, foi tirada em Hokkaido (Japão). © Kohei Nagira, Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano
Alguns meios de comunicação parecem inclinar-se para este cervo sika que portaenredado em seus chifres, os restos da cabeça decepada de um de seus rivais. Uma imagem violenta, mas reveladora do que se passa na natureza. Reza ainda que o animal arrastou todo o corpo do seu rival morto durante vários dias antes de finalmente se libertar parcialmente arrancando-lhe a cabeça…
Uma pausa em família

Para o fotógrafo, estes ursos polares que se refugiam em terra firme durante o verão são um símbolo de perseverança, “um breve momento de esperança num mundo onde a sobrevivência está longe de ser garantida”. ©Christopher Paetkau, Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano
A outra foto divulgada pela imprensa é a desta ursa polar e seus três filhotes fazendo uma pausa na Baía de Hudson, no Canadá. Animais que estamos habituados a ver num fundo de neve, mas no verão vão à procura de alimento em terra firme. E com o aquecimento global, estes períodos estão a tornar-se cada vez mais longos. Uma foto da qual emerge uma espécie de tranquilidade… que os mais sensíveis entre nós imaginam antes da tempestade!
O último retrato

Esta foto tirada em Svalbard (Noruega) é provavelmente a última deste filhote de urso polar ainda vivo. © Nima Sarikhani, Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano
Na mesma linha, há também esta foto de um filhote de urso polar que parece estar olhando para nós. Uma imagem desta natureza que pede graça. E por trás da qual está outra história triste. A de uma caçada que termina mal para o filhote de urso e sua mãe. A culpa é deles: terem se aventurado um pouco perto demais das casas. Os animais caçadores foram caçados pelos humanos. A mãe acabou morta no rio. O filhote de urso foi morto a tiros pela polícia. Ele parecia agressivo…
Retrato da extinção

Todas essas armadilhas foram confiscadas ao longo de um ano no Parque Nacional Murchison Falls (Uganda). ©Adam Oswell, Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano
Mas aquele que é certamente o mais frio do voltaré o desta imensa pilha de armadilhas confiscadas pelos guardas florestais do Uganda. A imagem é terrivelmente dolorosa. Mesmo que algumas comunidades utilizem as suas armadilhas para garantir as suas refeições, outras, demasiado numerosas, exploram-nas para fins de caça furtiva.
Um futuro frágil

Os pangolins são os únicos mamíferos cobertos por escamas que servem de armadura. Mas contra os caçadores furtivos, está ainda mais perdido porque estas escamas são utilizadas na medicina tradicional na Ásia. E a carne de pangolim está na moda na região. Este pequeno é um sobrevivente. © Lance van de Vyver, Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano
Aquela que acabará por obter o meu favor – e o meu voto – é esta imagem de um bebé pangolim aconchegado num cobertor num centro de resgate na África do Sul. Porque o pangolim não é o animal mais sexy. Também não é o mais popular. Menos ainda desde que foi colocado no banco dos réus na altura do pandemia de COVID-19. Mas rapidamente esquecemos que se houve suspeita é porque o pangolim é um dos animais mais caçados ilegalmente no mundo. E a história desta foto conta que a mãe deste órfão é mais uma vítima desta ignominiosa caça furtiva.