Oito Oscars, um César, quatro Globos de Ouro, quatro prêmios Bafta, um American Film Institute e quatro prêmios da Los Angeles Film Critics Association. A lista de prêmios obtidos pelo filme Amadeuslançado em 1984, é longo e a interpretação de Tom Hulce marcou toda uma geração. A vida romântica de Mozart é assim contada ali, através do prisma da sua rivalidade com o compositor italiano Salieri. A obra-prima de Milos Forman (falecido em 2018) é, no entanto, uma adaptação da peça homónima de Peter Shaffer, apresentada pela primeira vez em 1979. Quase 50 anos depois da sua encenação no teatro Marigny, o brilhante espectáculo regressa numa nova versão de Olivier Solivérès, conhecido por O Círculo dos Poetas Mortosdo qual obteve um Molière em 2024. Tele-Lazer pôde assistir a uma das apresentações e dá sua opinião.
O espetáculo começa assim que chegamos ao prestigiado teatro Marigny, no 8º arrondissement de Paris. Os funcionários do teatro nos recebem em trajes de época, com lanternas, enquanto um pianista explora a música de Mozart. As partituras estão espalhadas pelos quatro cantos do hall de entrada como decoração. Na sala de espetáculos, um violinista espera que tomemos os nossos lugares, ainda inspirado no compositor austríaco. Mas muito rapidamente, sussurros, cada vez mais altos, anunciam o início iminente da peça. Um mergulho imediato no século XVIII.
Você deveria ver a peça? Amadeus no teatro Marigny?
Jérôme Kircher, conhecido por ter atuado no Capitão Marleau lança este musical, sozinho no palco. Durante 2h05, ele interpretará Salieri e falará sobre seu ódio por Mozart. Sua interpretação é precisa, comovente e nos leva imediatamente à história desse homem que aos poucos se destrói por causa do ciúme. E quanto a Thomas Solivérès (conhecido por Crianças sujas, Edmond E As aventuras do jovem Voltaire) que deixa de lado sua personalidade para se tornar totalmente Mozart. O ator é de tirar o fôlego! Ele dá 200% para interpretar o papel desse compositor imaturo, bruto, incontrolável, mas que tem um verdadeiro dom para a música e a composição. Ele rola no chão, corre em todas as direções, mostra o traseiro e entretém o público, quase fazendo esquecer a tragédia final e inevitável.

Em palco sucedem-se 14 atores, alguns dos quais acrescentam ao chapéu de atores o de artistas musicais, interpretando as maiores obras de Mozart ao violino, violoncelo ou mesmo cantando. O público só pode ficar sem palavras com a versão ao vivo da música Queen of the Night, trecho lendário de A Flauta Mágicacom suas explosões de notas altas. As obras do compositor pontuam assim toda a peça e acompanham momentos-chave do espectáculo, fazendo com que queira conhecer mais sobre as inúmeras partituras deste génio musical.
Este espetáculo é ainda apoiado por uma encenação incrível, com os seus cenários móveis, o seu palco giratório e uma enorme cortina branca que dá um toque dramático ao último acto. Uma atenção ao detalhe que permite ao público compreender as diferentes temporalidades da narração, mantendo um ritmo sustentado. Essa revisitaçãoAmadeus irá deliciar os cinéfilos e também os fãs de apresentações ao vivo, mesmo aqueles que são novos na música clássica. Um verdadeiro sucesso!
Amadeusno teatro Marigny de Paris (8), até 5 de abril de 2026, theatremarigny.fr