“Socorro! A direita está voltando! » Em 1985, o Partido Socialista, então no poder, cobriu a França com enormes fotos de pessoas horrorizadas gritando este slogan. Disruptiva, como ainda não foi dito, esta campanha marcou a história da publicidade política. Mas não impediu que a direita “voltasse” durante as eleições legislativas de 1986.
Estes, com a ajuda da abordagem proporcional promovida por François Mitterrand, permitiram até que Jean-Marie Le Pen regressasse à Assembleia Nacional com outros 34 representantes eleitos de extrema-direita. Quarenta anos depois, tudo está a acontecer como se um pânico comparável tivesse tomado conta de muitos círculos intelectuais e mediáticos. “Socorro! A extrema direita está chegando!”ouvimos em substância de todos os lados, como se fosse óbvia a chegada do Rally Nacional (RN) ao poder executivo em 2027. Como se chorar lobo fosse suficiente para fazê-lo fugir.
A mobilização eficaz contra os demagogos que dependem da xenofobia para desmantelar a democracia em França parece ainda mais imperativa e complicada porque têm, em Donald Trump, um aliado poderoso. Ainda é preciso fazê-lo sem ceder ao pânico como “Socorro!” A crescente influência do inquilino da Casa Branca na geopolítica, em particular a sua intenção explícita de favorecer a chegada ao poder da extrema direita, nomeadamente em França, para acelerar a implosão da União Europeia, oferece precisamente novos ângulos de ataque.
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