CARTA DE GENEBRA

Soldados do exército suíço preparam uma pista de esqui antes da última sessão de treinamento para uma prova de downhill da Copa do Mundo de Esqui Alpino Feminino, em Crans-Montana, Suíça, em 29 de janeiro de 2026.

Entre os rituais suíços, há um que pode surpreendê-lo. Todo fim de semana, nas estações do país, você encontra homens em trajes camuflados, boinas verdes ou vermelhas aparafusadas na cabeça, rifles de assalto SIG-550 pendurados nos ombros. Na Confederação Suíça, onde o serviço militar obrigatório não foi abolido após o fim da Guerra Fria, como aconteceu em muitos estados europeus, os rodízios de tropas em licença semanal pontuam a vida do país e fazem parte da paisagem. Esta rotina de escolas de recrutamento e cursos de ensaio (três semanas por ano, durante dez anos após o envolvimento inicial), considerada uma espécie de folclore, oferece a vantagem de misturar jovens francófonos, germanófonos e italianos, mantendo assim um sentimento de coesão nacional.

Segunda-feira, 12 de janeiro, 12.500 recrutas da faixa etária 2006-2007 começaram seu treinamento sob a bandeira vermelha com uma cruz branca. O clima de nova desordem geopolítica global não escapou aos oficiais que os treinam. “Eles nos disseram: ‘Vocês podem ser a primeira geração neste país a prestar serviço militar e que terá que lutar de verdade no terreno’”confidencia, um pouco surpreso, Victor, um jovem de 19 anos de Genebra. A última guerra travada pela Suíça no estrangeiro remonta à campanha Franche-Comté em 1815. Esta operação, oficialmente levada a cabo em resposta ao bombardeamento de Basileia pelas forças francesas, constitui a última acção militar suíça no estrangeiro. Desde então, a Confederação aderiu à sua neutralidade, reconhecida no Congresso de Viena em 1815, e não participou mais em nenhum conflito.

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