Em Marathousa 1, no Peloponeso, dois objetos em bebida excepcionalmente bem preservados foram datados de cerca de 430 mil anos atrás, estabelecendo um novo recorde para ferramentas manuais fabricadas por hominídeosquase 40 mil anos à frente dos anteriores, de acordo com um estudo publicado no Anais da Academia Nacional de Ciências. Neste momento de Pleistoceno média, enquanto Homo sapiens ainda não existia, grupos humanos já ocupavam o sudeste da Europa e massacravam elefantes e outros animais nas margens de um antigo lago.

Embora o local já tenha produzido inúmeras ferramentas de pedra e osso, a madeira raramente é preservada. Graças às análises microscópicas, os pesquisadores ainda identificaram marcas claras de tamanho e escultura em duas peças. O primeiro, constituído por quatro fragmentos de amieiro formando originalmente uma ferramenta de pelo menos 81 centímetros, parece ter sido utilizado para escavar a lama da beira do lago ou para descascar outros pedaços de madeira. Um nó foi quase completamente removido para facilitar a fixação.


Reconstrução da ferramenta de madeira descoberta em Marathousa 1, interpretada como uma vara de escavação ou ferramenta multifuncional feita pelos hominídeos. © D. Michailidis e K. Harvati

Domínio precoce do trabalho com plantas

O segundo objeto, minúsculo (5,7 centímetros) e esculpido em salgueiro ou choupo, porta cortes múltiplos consistentes com remoção intencional da casca. Os autores descartam origem animal, principalmente dos castores, ausentes do local. Outro fragmento inicialmente suspeito, porém, revelou-se marcado por um grande carnívoro.


Fragmentos da pequena ferramenta de madeira (5,7 centímetros) esculpida em salgueiro ou choupo, apresentando múltiplos cortes consistentes com remoção deliberada da casca. © K. Harvati

Até agora, as ferramentas de madeira mais antigas conhecidas provinham do Reino Unido, Alemanha, Zâmbia ou China, mas todas eram mais recentes. Apenas uma estrutura de troncos entrelaçados, em Kalambo Falls, na Zâmbia, testemunha o uso anterior da madeira.

Entre carcaças de elefantes e vestígios de predadores, Marathousa 1 também ilustra uma tensa convivência entre humanos e adultos carnívorose nos lembra que, diante de suas garras, até um simples pedaço de pau já conseguia contar.

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