
Depois de rejeitar qualquer forma de direito à morte assistida, o Senado considerou na segunda-feira um projeto de lei mais consensual sobre o acesso a cuidados paliativos, uma prioridade declarada pela maioria de direita na Câmara Alta.
O texto da deputada macronista Annie Vidal, que será votado na quarta-feira, foi de facto relegado para segundo plano nesta discussão no Parlamento sobre o fim da vida, por detrás da prevista criação de um sistema de morte assistida, examinado em paralelo.
Esta lei que legaliza o suicídio assistido e a eutanásia sob condições foi desvirtuada pelo Senado na semana passada, por iniciativa da ala mais conservadora da direita e dos centristas.
Os debates esquentaram em torno deste primeiro texto. Em geral, acalmaram-se na segunda segunda-feira, ainda que a esquerda denunciasse a atitude da maioria senatorial, acusando-a de ir “apenas a meio caminho” no debate sobre o fim da vida.
A direita e os centristas assumiram considerar os cuidados paliativos como “um pré-requisito”: “dependendo da ambição que colocarmos nos cuidados paliativos, então poderemos considerar a morte assistida”, assegurou a centrista Anne-Sophie Romagny.
Este projeto de lei visa inicialmente “garantir a igualdade de acesso de todos aos apoios e cuidados paliativos”. Para isso, os deputados votaram pelo estabelecimento de um direito “aplicável” aos cuidados paliativos.
Mas os senadores retiraram-no, de acordo com o governo, temendo que causasse “decepção entre pacientes e familiares” porque não aumentaria, por si só, a prestação de cuidados. A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, estimou que esta seria apenas uma “simples promessa”, temendo “numerosos litígios”.
– O que significa? –
O ministro apoiou ainda o estabelecimento de uma “estratégia” nacional para os cuidados paliativos, preferível a uma verdadeira lei de programação plurianual, votada pelos deputados.
O governo garantiu 100 milhões de euros de investimento nesta área no orçamento da Segurança Social para 2026. Os senadores votaram pela duplicação do montante anual atribuído ao sector nos próximos anos, ainda que alguns parlamentares tenham apontado que estes objectivos numéricos não seriam vinculativos.
Embora cerca de dez departamentos não possuam atualmente unidade de cuidados paliativos, o texto cria “lares de apoio e cuidados paliativos”.
O Senado dominado pela direita também manifestou os seus receios relativamente aos recursos mobilizados. “Se não houver uma vontade política que se traduza em meios financeiros, teremos trabalhado num assunto sem ter um feedback concreto sobre os territórios”, preocupou-se o presidente da Comissão dos Assuntos Sociais da LR, Philippe Mouiller.
Os dois textos sobre o fim da vida serão votados na tarde desta quarta-feira. Sobre a lei dedicada à morte assistida, a votação terá, no entanto, pouco significado porque o texto foi esvaziado da sua substância.
A Assembleia Nacional irá examiná-los em segunda leitura na semana de 16 de fevereiro, com o seu presidente Yaël Braun-Pivet esperando conseguir uma adoção definitiva “antes do verão” desta grande reforma social, uma promessa de Emmanuel Macron.