Nem uma palavra. O Kremlin não reagiu à decisão do Conselho da Europa de integrar na sua Assembleia Parlamentar (PACE) uma delegação da oposição russa no exílio. Segunda-feira, 26 de janeiro, ele aprovou a composição do “a Plataforma para o Diálogo com as Forças Democráticas Russas” que, criada em outubro de 2025, tem como objetivo “trazer mudanças democráticas de longo prazo na Rússia e alcançar uma paz duradoura e justa na Ucrânia”.
Formalmente, esta delegação não substitui a representação oficial de Moscovo, excluída em 16 de março de 2022 do Conselho da Europa, menos de três semanas após a invasão da Ucrânia. Mas, quase quatro anos depois, pela primeira vez, o“outra Rússia”que se opõe ao Presidente Vladimir Putin e à sua ofensiva militar, obtém estatuto oficial dentro desta organização internacional, independente da União Europeia e responsável pela promoção da democracia e dos direitos humanos. Daí o silêncio do Kremlin.
“A questão principal é defender os interesses dos pacíficos russos que, sob o regime de Putin, estão privados do apoio do seu país, da possibilidade de protestar contra a agressão na Ucrânia a nível institucional e de expressar o seu desejo de uma visão diferente da do Kremlin”, confidenciou a Mundo Mikhail Khodorkovsky, 62 anos, uma das figuras da dissidência russa no exterior e um dos quinze membros da delegação ao PACE.
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