O governo italiano exigiu, segunda-feira, 26 de janeiro, a constituição de uma equipa conjunta de investigadores no caso do incêndio no bar Crans-Montana, na Suíça, na passagem de ano, que custou a vida a 40 pessoas, incluindo 6 italianos.
Enquanto esta condição não for cumprida, Roma avisou que o seu embaixador na Suíça, chamado de volta no sábado em protesto contra a libertação sob fiança do proprietário francês do bar, não retomará as suas funções lá.
A Presidente do Conselho Italiano, Giorgia Meloni, recebeu na segunda-feira o Embaixador Lorenzo Cornado, informou o governo italiano. “Foi decidido condicionar o regresso do embaixador à Suíça ao estabelecimento de uma cooperação entre as autoridades judiciais dos dois Estados e à criação imediata de uma equipa conjunta de investigação”explica o governo em comunicado à imprensa. E isso “para que as responsabilidades no massacre de Crans-Montana em 1er Janeiro de 2026 pode ser determinado sem mais demora”ele especifica.
Velas tremeluzentes
Seis jovens italianos morreram no incêndio do bar Le Constellation, na estação de esqui de Crans-Montana, no cantão de Valais (sudoeste). No início de janeiro, Giorgia Meloni anunciou a abertura pelo Ministério Público de Roma de um processo neste caso.
O presidente do conselho italiano expressou no sábado “a forte indignação do governo e da Itália” após a libertação, na sexta-feira, do dono do bar, Jacques Moretti.
O incêndio no bar Constellation, que atingiu principalmente adolescentes e jovens, foi causado, segundo a investigação, por faíscas de velas tremeluzentes que acenderam espuma absorvente de som no teto do subsolo do estabelecimento.
A investigação terá de levantar o véu sobre as circunstâncias exactas da tragédia, o respeito das normas por parte dos proprietários e as responsabilidades, enquanto o município de Crans-Montana admitiu nomeadamente não ter realizado verificações de segurança e incêndio no bar desde 2019.
Como proprietários do estabelecimento, os cônjuges Moretti são alvo de investigação criminal por “homicídio negligente, lesão corporal negligente e incêndio negligente”. Eles foram ouvidos terça e quarta-feira pelos tribunais do cantão de Valais.