
Muitos admiradores despediram-se no domingo dos dois pandas extremamente populares do Jardim Zoológico de Tóquio, que se preparam para regressar à China, privando o arquipélago da presença destes animais emblemáticos pela primeira vez em meio século.
Emprestados no âmbito do programa chinês de “diplomacia do panda”, estes animais simbolizam a amizade entre Pequim e Tóquio desde a normalização das suas relações diplomáticas em 1972. No entanto, esta partida surge num contexto de fortes tensões diplomáticas entre as duas potências vizinhas.
O Japão só tinha esses dois pandas gêmeos – Lei Lei e Xiao Xiao – no Jardim Zoológico de Tóquio, no distrito de Ueno.
Os visitantes do zoológico ficaram com lágrimas nos olhos ao observar os dois pandas comendo brotos de bambu.
O retorno repentino dos pandas foi anunciado no mês passado, depois que o conservador primeiro-ministro do Japão, Sanae Takaichi, sugeriu que Tóquio poderia intervir militarmente no caso de um ataque a Taiwan.
Esta declaração provocou a ira de Pequim, que reivindica a ilha como parte integrante do seu território e não descarta a tomada dela pela força.
O Governo Metropolitano de Tóquio, que administra o Zoológico de Ueno, já havia indicado que os dois animais icônicos estariam à mostra ao público até este domingo.
Os dois pandas sairão do Japão dois dias depois e deverão chegar em 28 de janeiro a uma instalação na China onde mora sua irmã mais velha, Xiang Xiang.
Os 4.400 sortudos ganhadores de uma loteria online puderam se revezar na admiração dos pandas de quatro anos, enquanto outros, reunidos perto do zoológico, exibiram orgulhosamente roupas, bolsas e bichinhos de pelúcia com a imagem de pandas.
Mayuko Sumida dirigiu por várias horas desde a região de Aichi, no centro do Japão, na esperança de vê-los, apesar de não ter ganhado na loteria.
“Apesar do tamanho imponente, seus movimentos são muito engraçados; às vezes ele (o panda) se comporta quase como uma pessoa”, diz ela, descrevendo-se como “completamente fascinada”. “O Japão acabará sem pandas. É muito triste.”