Ativistas britânicos de extrema direita monitoram a praia de Gravelines (Norte), para impedir que migrantes cruzem o Canal da Mancha, 5 de dezembro de 2025.

Dois cidadãos britânicos suspeitos de terem vindo para França a pedido da extrema direita para participar numa mobilização proibida contra migrantes foram detidos e colocados sob custódia policial, anunciaram a prefeitura e o Ministério Público à Agence France-Presse (AFP), segunda-feira, 26 de janeiro. Os dois homens, que transmitiam vídeos ao vivo, foram presos perto de Calais no domingo, por volta das 21h30, disse o prefeito de Pas-de-Calais, François-Xavier Lauch.

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Foram colocados sob custódia policial por “provocação de ódio e participação num grupo com vista a preparar a violência”, com base em comentários feitos nas redes sociais no mesmo dia, disse a procuradora de Boulogne-sur-Mer, Cécile Gressier.

Estas são as primeiras detenções de activistas britânicos de extrema-direita em França por estas razões, acrescentou ela, especificando que não são acusados ​​de violência contra as pessoas.

Eles não estavam entre os dez ativistas de extrema direita banidos do território francês desde 14 de janeiro pelo Ministério do Interior devido a acusações de “ações de natureza violenta” contra migrantes na costa de Nord e Pas-de-Calais. Com 35 e 53 anos, transmitiram conteúdos em direto suscetíveis de incitar ao ódio num canal do YouTube, detalhou uma fonte policial à AFP.

“Senhor Supremo”

As prefeituras de Nord e Pas-de-Calais prorrogaram até quarta-feira a proibição de uma manifestação anti-migrantes chamada Overlord, lançada por um ativista britânico de extrema direita, Daniel Thomas. “Overlord” foi o codinome dado à Batalha da Normandia que, de junho a agosto de 1944, permitiu aos Aliados abrir uma nova frente na Europa Ocidental contra as tropas do IIIe Reich.

Daniel Thomas convocou nomeadamente nas suas redes sociais comícios, no sábado, 24 de janeiro, em Dover e na costa do norte de França, segundo ele, para compensar a incapacidade das forças francesas em impedir travessias clandestinas do Canal da Mancha.

Apesar da ordem proibindo a operação, Thomas, que afirma estar sujeito a uma proibição em território francês e que não foi preso, segundo a prefeitura, publicou, no sábado e domingo, fotos e vídeos que, segundo ele, foram feitos durante este fim de semana nas praias francesas. Ele aparece ali cercado por cerca de dez outros homens, todos vestidos com roupas escuras e brandindo bandeiras do Reino Unido.

Daniel Thomas lidera, segundo as autoridades francesas, uma sucursal “muito radical” do movimento Raise the Colors, nascido de uma divisão do grupo após as proibições em território francês. A principal conta do Raise the Colors, na rede social “nada para ver” com a operação liderada por Daniel Thomas.

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O mundo com AFP

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