O Ministério das Relações Exteriores da Argélia convocou, sábado, 24 de janeiro, o encarregado de negócios da embaixada francesa em Argel, após a transmissão na France 2 de um número do programa “Complément d’investigation” dedicado a “a guerra secreta França-Argélia” e considerado ofensivo pelas autoridades argelinas.
O episódio foi anunciado na quinta-feira com um comentário mordaz da agência de notícias APS, que denunciou o programa antes mesmo de sua transmissão. Com base num simples trailer, a agência criticou o “deriva” de um meio de comunicação público francês que teria “trocou a exigência jornalística pelas teses mais rançosas da extrema direita francesa”.
O comentário da agência oficial, amplamente divulgado pelos meios de comunicação argelinos, visava em particular, sem nomeá-lo, o antigo embaixador francês em Argel, Xavier Driencourt, descrito como um “agitado, sofrendo de uma verdadeira patologia obsessiva chamada “Argélia””. Ele também criticou o lugar dado ao YouTuber Amir Boukhors, conhecido como Amir DZ, apresentado como “traficante, chantagista, analfabeto, bandido sem formação nem legitimidade intelectual”.
Acredita-se que essa acusação tenha servido como uma promoção não intencional do programa, levando muitos argelinos a assisti-lo. Por fim, o ex-embaixador, embora visível no trailer, não apareceu no programa. Por outro lado, os telespectadores puderam ouvir Amir DZ – uma figura muito controversa na Argélia, inclusive entre os opositores – qualificar o Presidente Abdelmadjid Tebboune como um “bandido”sequência que provavelmente causou grande irritação na presidência.
Num comunicado de imprensa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Argélia descreve o programa como “rede de inverdades profundamente ofensivas e desnecessariamente provocativas” e de “uma verdadeira agressão contra o Estado argelino, as suas instituições e os seus símbolos”. Para Argel, a responsabilidade do governo francês está comprometida: França 2 “nunca teria autorizado tal ataque sem a cumplicidade ou, pelo menos, o consentimento da sua tutela pública”estima a diplomacia.
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