“Em vez de querer reparar a ONU (…) o que está acontecendo? O presidente Trump propõe a criação de uma nova ONU da qual ele seria o único mestre » acusou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, na sexta-feira, 23 de janeiro, durante evento do Movimento dos Sem Terra em Salvador da Bahia, no Nordeste do país.
Deplorando isso “a Carta da ONU está sendo rasgada”Lula disse que gastou “uma semana ligando para todos os países do mundo” para tentar “encontrar uma maneira de nos unirmos” e defender o sistema multilateral e defender as Nações Unidas face ao que descreveu como o avanço da“unilateralismo” e o “lei do mais forte”. Na véspera, ele conversou por telefone com o presidente chinês, Xi Jinping, que manifestou o desejo de defender “o papel central” da ONU, sem falar do “conselho de paz” criado por iniciativa de Donald Trump.
O presidente brasileiro especificou que conversou em particular com o presidente russo, Vladimir Putin, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum. Criticou também o projecto de reconstrução de Gaza lançado pela administração Trump após a ofensiva israelita. “Destruíram, mataram mais de 70 mil pessoas para dizer que agora vamos reconstruir Gaza e construir hotéis de luxo lá”ele castigou.
Um substituto para as Nações Unidas
O presidente americano, que havia enviado convites a muitos líderes mundiais para se juntarem ao seu “conselho de paz” – incluindo Lula que não respondeu – lançou formalmente o seu novo órgão na quinta-feira em Davos (Suíça). “Assim que este conselho estiver totalmente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos”declarou o presidente americano no Fórum Econômico Mundial.
A França e o Reino Unido, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, recusaram-se a estar entre os signatários, tal como a Espanha. “Temos sérias dúvidas sobre uma série de elementos da Carta do Conselho da Paz relativamente ao seu âmbito, governação e compatibilidade com a Carta das Nações Unidas”declarou por seu lado, na madrugada de sexta-feira, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, na sequência de uma cimeira dos Vinte e Sete em Bruxelas.
A Casa Branca anunciou um “conselho de paz” presidido por Donald Trump como parte do plano para acabar com a guerra no território palestiniano da Faixa de Gaza. Mas o projeto de “carta” revela uma iniciativa e um mandato muito mais amplos, com a ambição de torná-la um verdadeiro substituto das Nações Unidas.