CEste é um refrão que Emmanuel Macron entoa regularmente. Segundo ele, o Banco Central Europeu é demasiado rígido e impõe taxas de juro demasiado elevadas, sufocando a economia francesa. No início de dezembro de 2025, em entrevista ao Ecos, ele declarou: «A política monetária europeia parece-me poder ser claramente ajustada hoje. »
O presidente francês critica regularmente o BCE. Em 2020, no início da pandemia de Covid-19, apelou à instituição para intervir mais rapidamente para acalmar os mercados. Em 2022, alertou para a subida das taxas de juro, que foi demasiado rápida para o seu gosto. Em 2024, sugeriu mudar o mandato da instituição monetária, para incluir o crescimento, além da inflação, como já faz o Federal Reserve (Fed) americano.
Esses ataques são justificados? Em França, alguns economistas também estão incomodados com a política monetária do BCE. O mais avançado, Nicolas Goetzmann, economista-chefe da sociedade gestora Financière de la Cité, escreveu, em coluna no Mundo em dezembro de 2025, que “a economia francesa está sujeita à política monetária mais restritiva do mundo ocidental”. Para ele, o BCE errou ao aumentar as taxas de juro muito rapidamente entre 2022 e 2023, de -0,5% para 4%.
Na altura, após a reabertura da economia na sequência da pandemia, e com o choque do gás russo, cujo fornecimento foi cortado por Vladimir Putin, a inflação tinha disparado para além dos 10% na zona euro. Temendo uma fuga, o Banco Central reagiu com muita força. Resposta errada, acredita o Sr. Goetzmann: o BCE “aplicaram à zona euro um tratamento destinado a conter a procura enquanto a inflação vinha da energia importada”.
Rebuliço parlamentar
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