Chapim-azul, andorinhão-preto, verdilhão europeu: as aves comuns dos parques e jardins estão se tornando mais raras. Para quantificar o fenómeno, a Liga para a Proteção das Aves (LPO) organiza este fim de semana uma vasta contagem de cidadãos, para ajudar a implementar medidas de proteção e sensibilizar a população.

No ano passado, foram recolhidos quase 600.000 dados durante as diversas operações de contagem – incluindo 171.000 só no último fim de semana de janeiro – ou 23% mais do que em 2024.

Desde 2012, ano em que estas operações foram estabelecidas, mais de 6 milhões de dados foram recolhidos por mais de 100.000 observadores, “o que constitui um recorde para uma operação científica participativa do público em geral em França”, afirma Rishane Colas, gestora de projetos na LPO Ile-de-France.

– 41% em declínio –

“Esta informação é valiosa porque complementa certos dados científicos para compreender o estado a longo prazo das populações de aves comuns e, depois de analisada, permite que sejam implementados planos de acção para preservar certas espécies”, explica a Sra.

“Permite-nos comparar dados que já temos – por exemplo os de ambientes naturais – com aqueles que não temos, particularmente em espaços ocupados por seres humanos para ver os impactos das atividades humanas nas aves”, particularmente em áreas urbanas.

Este observatório, em parceria com o Museu Nacional de História Natural, já constatou que 41% das espécies de aves em parques e jardins viram as suas populações diminuir entre 2012 e 2022.

“Durante 10 anos, o declínio tem sido muito acentuado, nomeadamente devido à perda de habitats, à falta de recursos alimentares”, e até às alterações climáticas. “É uma tendência preocupante”, destaca o gestor.

Um chapim-azul no Bois de Vincennes, em Paris, em janeiro de 2026 (AFP/Arquivos - Martin LELIEVRE)
Um chapim-azul no Bois de Vincennes, em Paris, em janeiro de 2026 (AFP/Arquivos – Martin LELIEVRE)

A maioria das aves comuns são insectívoras e o declínio das populações de insectos, ligado em particular aos pesticidas, reduz as suas fontes de alimento, influenciando a sua sobrevivência ou reprodução. Além disso, a urbanização e o desaparecimento das sebes levam à escassez de locais de nidificação e refúgio, explica a Sra. Colas.

Estes números confirmam as tendências observadas a nível global. Em Outubro, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) divulgou dados de especialistas que mostram que, a nível mundial, seis em cada 10 espécies de aves estão em declínio (contra 44% em 2016) e uma em cada 10 está ameaçada de extinção. Na França, mais de 280 espécies de aves estão ameaçadas.

Entre eles, o pardal, cujo número diminuiu 60% a nível nacional, destaca a Sra. Colas. “Na Ile-de-France, as nossas contagens de cidadãos mostram que passámos de 30.000 casais em 1995 para apenas 150 em 2023.”

– Cuidado com duplicatas –

“As aves mais ameaçadas são aquelas que se alimentam exclusivamente de insetos. Na primavera há um declínio particularmente dramático do andorinhão-preto e das andorinhas.”

Por outro lado, espécies como o pardal-comum, que é onívoro, continuam entre as mais observadas durante as contagens em parques e jardins, porque se adaptam com mais facilidade.

Também existem observatórios de cidadãos na Bélgica ou no Reino Unido. Em França, além da contagem dos dias 24 e 25 de janeiro, também útil para a observação de aves migratórias, está previsto outro fim de semana de observação no final de maio para contagem das aves na altura da nidificação.

O protocolo pretende ser ao mesmo tempo muito preciso, para que os dados possam realmente ser utilizados cientificamente, e simples: deve escolher um local de observação – por exemplo a sua varanda na cidade, o seu jardim da sua janela ou um local num parque público – e contar durante exactamente uma hora todas as aves que pousam neste local enquanto tenta reconhecer a espécie. Em seguida, inserimos todas essas observações no siteoiseaudesjardins.fr, no qual nos registramos anteriormente.

“Tenha cuidado com as duplicatas”, alerta Rishane Colas. “Contamos apenas o número máximo de aves da mesma espécie que pousam no mesmo local durante a hora de observação, não somamos cada vez que uma delas aparece, porque pode ser igual duas vezes”, explica.

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