O Ministro do Interior, Laurent Nuñez, na Assembleia Nacional, em Paris, 21 de janeiro de 2026.

É um caso clássico de “obstrução” francesa – esta técnica de obstrução parlamentar pela qual os membros do Senado americano usam todos os artifícios para atrasar a aprovação de uma lei – à maneira francesa: quinta-feira, 22 de janeiro, numa atmosfera explosiva, a esquerda mobilizou cerca de quarenta lembretes das regras, cerca de quinze suspensões de sessões e dezenas de subalterações para finalmente derrotar o controverso projeto de lei “visando reconhecer a presunção de legítima defesa dos policiais, no exercício de suas funções”. Apoiada pelo deputado (Les Républicains, LR; Territoire de Belfort) Ian Boucard no âmbito de um nicho parlamentar de LR, a proposta, por não ter sido objecto de votação antes da fatídica hora da meia-noite, não pôde ser adoptada.

Para o governo, que deu o seu apoio ao projeto de lei à custa de uma – tímida – reescrita, o desprezo é contundente, especialmente para o Ministro do Interior, Laurent Nuñez, a favor do texto, e que não poupou esforços para apoiá-lo perante a representação nacional. Já em 8 de janeiro, durante um debate organizado por La France insoumise na Assembleia Nacional, Laurent Nuñez retomou um argumento voluntariamente desenvolvido pela Aliança Sindical da Polícia, acreditando que o texto constituía um “meio importante de proteger nossos policiais e gendarmes, que às vezes podem ficar sob custódia policial após ação da polícia ou da gendarmaria”.

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